domingo, 13 de fevereiro de 2011
A evolução do Homem
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Cómico
Largo da Matemática
| Largo da Matemática - Coimbra - Novembro de 2010 |
"A Matemática é para poucos"
vulgata popular
A Matemática ocupa o lugar das disciplinas que mais reprova os alunos na escola. A justificativa que a comunidade escolar dá a esta "incapacidade" do aluno com esta área do conhecimento é que "matemática é difícil", e o senso comum confere-lhe o aval. Como a matemática é considerada útil, o aluno não pode passar para o ano seguinte sem atestar o seu conhecimento na disciplina e desta forma aceita-se inclusive que ele seja reprovado apenas em matemática. Nos meus tempos de estudante liceal, com poucos hábitos de estudo - que só se manifestaram já próximo da entrada para a Universidade -, sempre desprezei a matemática. Fosse por não a entender, ou porque me enfastiava de tal forma que me recusava fazer um esforço para me entrosar com a sua linguagem áspera e abstracta, sempre nutri por ela uma antipatia antiga. Hoje, reconheço ter bastantes lacunas no conhecimento matemático, muitas delas quase impossíveis de serem supridas, facto que me tem prejudicado em alguns aspectos práticos da vida.
Naquele instante, ao deparar-me com o Largo da Matemática, situado no casco antigo da cidade de Coimbra, muito perto das mais antigas Repúblicas estudantis, e a avaliar pelo estado dos prédios que por lá se encontram, creio ter encontrado uma boa metáfora fotográfica para definir o nível do meu conhecimento da disciplina: simplesmente ruinoso. Deus me valha!
Naquele instante, ao deparar-me com o Largo da Matemática, situado no casco antigo da cidade de Coimbra, muito perto das mais antigas Repúblicas estudantis, e a avaliar pelo estado dos prédios que por lá se encontram, creio ter encontrado uma boa metáfora fotográfica para definir o nível do meu conhecimento da disciplina: simplesmente ruinoso. Deus me valha!
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Pensamentos
sábado, 12 de fevereiro de 2011
| Albufeira de Cabril - Fevereiro de 2011 |
| Um dia de Primavera na Serra da Lousã - Fevereiro de 2011 |
| A Aprilia à sombra da cruz - Serra da Lousã - Fevereiro de 2011 |
| O retratista auto-retrata-se - Fevereiro de 2011 |
| Piscina Fluvial - Albufeira de Cabril - Fevereiro de 2011 |
| Albufeira de Cabril - Fevereiro de 2011 |
| Barragem de Cabril - Fevereiro de 2011 |
| Restaurante Esplanada - Ribeira de Alge - Fevereiro de 2011 |
| Nuvens pintando o céu da Serra da Lousã - Fevereiro de 2011 |
Hoje esteve um dia primaveril e depois de ter estado em Tomar com uma pessoa conhecida, fiz-me de novo à estrada para dar continuidade a mais um dos meus passeios higiénicos. Desta vez o destino levou-me de novo pelas lindas terras do centro do país, ao longo das múltiplas praias fluviais do Zêzere e dos seus afluentes, com passagem por Ferreira do Zêzere, Pedrógão Grande, Sertã, Figueiró dos Vinhos, Ribeira de Alge, Castanheira de Pêra, Miranda do Corvo, Penela, e também por muitas aldeias de xisto perdidas no meio da mancha serrana. É formidável o silêncio que se consegue experimentar lá no alto, somente entre-cortado pelo uivar do vento e pelo trinar de algum pássaro mais afoito que, de quando em quando, passa, lesto, rente à copa da árvores. O céu, no alto da serra, apresentava uma tonalidade índigo, quase anil, e dizem que a sua observação atenta e demorada, melhora a nossa intuição e ajuda a reorganizar estados psíquicos. Ora, não podia vir a calhar melhor. Em dias azuis, ainda que por efeito placebo, tenho de ir meditar mais vezes para o alto da serra.
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Mini Crónica
Rosas & Acero
Rosas & Acero vai conhecer uma nova edição, desta vez em Junho, na Província de Aragão, perto de Huesca, em Espanha. Conhecida por ser a maior concentração motard no feminino (os homens só podem entrar se forem acompanhados por uma mulher e o preço que pagam é superior), mantém a mesma vertente sexista de segregar a entrada dos moteros sem estarem devidamente acompanhados por uma motera. Naquilo que tanto condenam nos homens, as organizadoras deste evento optam por um comportamento a todos os títulos reprovável e inconcebível no mundo do motociclismo. Trata-se de uma festa eminentemente feminina - streap teases masculinos não vão faltar! - que reúne milhares de motociclistas femininas de toda a Europa, e que repudia uma das essências das agremiações de motociclistas, que é precisamente o culto da pluralidade e da não discriminação. [Quem sabe eu não apareço mascarado de motera, mais não seja para pagar menos à entrada... mas depois não podia ir à piscina.]
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Motas
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
As dificuldades de um músico imberbe
Em estilo twitter, venho aqui à folha informar que estou a descansar os dedos por uns minutos - as falanges estão quase em sangue! -, após ter estado na guitarra a treinar os acordes Dó, Lá Menor, Ré Maior e Sol. O Ré Maior é o mais complicado, mas o Dó é o que mais faz doer a ponta dos dedos. O exercício proposto pelo professor para treinar durante a semana, consiste em conseguir fazer estes acordes seguidos, com o ritmo e o tempo que ele ensinou, o que resulta numa música simples e bonita. Caso a conseguisse tocar toda de uma vez, sem me enganar, já ficaria bastante contente. Mas estou a ver o caso mal parado... Será que não haverá guitarras com cordas de cabelo humano ou outra coisa assim suave? Ou as falanges dos dedos da mão esquerda ganham rapidamente calos, como toda a gente me afiança, ou terei de encostar a minha Daytona a um canto, pois preciso dos dedos intactos para teclar o dia inteiro no computador, coisas chatas e formulares - o meu ganha pão. Mas, pensando bem, não deve ser impossível, a um jovem da minha idade, aprender a tocar alguma coisita; e, sobretudo, ultrapassar estas dores impossíveis provocadas pela pressão do aço das cordas na carne. Uns dizem que é por causa das cordas serem novas, outros dizem que passado um mês já tenho calos e a dor passa. Sei que não sou diferente dos outros; posso, sim, ter umas mãos muito delicadas - umas mãos de menino, como me dizem - mas sei que vou ultrapassar a questão. Hoje, um jovem aluno riu-se quando me viu aflito com dores nos dedos, e garantiu-me que nas primeiras vezes que começou a pisar as cordas da guitarra, ficou com a ponta dos dedos em sangue, mas depois tudo passou e hoje já não lhe dói nada. Olhei para ele, depois para as minhas mãos, e fiquei horrorizado. Essa perspectiva de vincar os dedos no aço até deixá-los em sangue, não me agrada mesmo nada. Sei que estou a ficar obsessivo com esta coisa da dor intensa nas falanges, mas espero que o prazer prevaleça e o sacrifício valha a pena. Para já, estou a gostar de tudo: do ambiente familiar, do contacto com uma nova linguagem, até então totalmente estranha para mim, e da possibilidade de um destes dias poder vir a tocar músicas do meu agrado. Além do mais, a minha guitarra é tão gira que seria uma pena ficar metida dentro de um saco, sem a utilização para a qual foi concebida. Não, não vou desistir, ainda que os dedos me doam... mas onde é que já li isto?
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Mini Crónica
Apenas o essencial
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| Mário de Andrade |
'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa. Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!'
Mário de Andrade
(1893-1945)
Mário de Andrade
(1893-1945)
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Palavras dos outros
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Na margem sul do Tejo, pelos lugares do meu passado
Miradouro dos Capuchos - Vista das Terras da Costa - parte sul da Costa da Caparica
Ontem, um domingo cheio de sol, fiz-me à estrada com a minha Caponord em direcção ao sul, tendo como destino o concelho de Almada, na margem de lá do Tejo. Estava um dia esplendoroso, com o céu profundamente azul, recortado por cima da Serra de Aires e dos Candeeiros, convidativo para passear de mota. Segui sempre pela estrada nacional, passando por Porto de Mós, Alcobaça, Alcoentre, Alenquer, Castanheira do Ribatejo e Vila Franca de Xira, terras que nunca me canso de admirar, para finalmente, logo a seguir a Alverca e a Sacavém, entrar nas cercanias de Lisboa. O último lance do percurso, à medida que nos aproximamos da capital, é o mais desagradável, pois o tráfego automóvel começa a intensificar-se para nunca mais parar. É mesmo a maior diferença que registo na comparação com as terras mais provincianas, e que é de inegável vantagem para estas últimas. Mas tudo correu dentro da normalidade e foram inúmeros os grupos de motards com quem me cruzei, que vinham para norte, com destino à Batalha, mais propriamente à Exposalão, para visitarem uma das mecas do motociclismo nacional que por lá tem lugar todos os anos.
Há muito tempo que não ia a Almada. A cidade, desde a instalação do metro de superfície que a cortou literalmente em dois, já não é o que era. A maioria das ruas do centro estão vedadas ao trânsito automóvel e encontram-se apenas acessíveis aos moradores. À medida que percorria a longa avenida que vai desde a rotunda do Centro Sul até à zona central da cidade, na minha mente, começava a desenrolar-se um filme em rewind, um desfiar de memórias que todos aqueles lugares me traziam. Cada rua, cada café, cada loja, cada esquina, adjacentes à imensa avenida, cujo nome já nem recordo, de algum modo, ligavam-se a cenas ocorridas no meu passado. Morei em Almada desde os 2 anos de idade até aos 17 anos, pelo que alguns dos melhores tempos da minha vida estão intrinsecamente ligados àquela cidade. Mas a ida a Almada teve uma razão objectiva. Tratou-se de fazer uma visita à minha mãe, que já não via há bastante tempo, e que simpaticamente me pagou o almoço. Depois de aplacada a saudade e de ter escutado as advertências habituais - as mães são eternamente assim - para os perigos que espreitam todos quantos andam de mota, após um telefonema a um amigo de infância, o Carlos Peres, com quem já não estava há imenso tempo, fiz-me de novo à estrada, desta vez em direcção a Vale Figueira, para os lados da Sobreda de Caparica. Chegado lá, constatei que o Carlos afinal não estava em casa. Tinha ido ao cinema com a mulher e os filhos e só ao final da tarde podia-se encontrar comigo. Como ainda era cedo e não estava disposto a esperar tanto tempo, decidi tentar a visita a outro amigo, que não morava muito longe dali, em Belverde, um lugar idílico situado no meio dum imenso pinhal, para os lados da Aroeira, entre a Fonte da Telha e a Cruz de Pau.
Atravessei a Charneca da Caparica, todos eles lugares da minha infância e juventude, passei pela Mata dos Medos - onde, nos idos anos sessenta, a minha família, entre outras tantas, já que era um costume da época, fazia picnicks; e nós, a miudagem, espairecíamos a correr pela mata adentro, enquanto o meu pai, refastelado numa rede, com o rádio sintonizado no Rádio Clube Português, dormia as suas eternas sonecas após o almoço enquanto a mãe, coitada, lavava a loiça - e segui até Belverde, sempre pela orla dos verdejantes pinhais, em homenagem ao dia soalheiro, pelejados de picniqueiros, num costume que parece não ter abrandado até aos dias de hoje. Estacionei a mota junto ao restaurante "A Cabaça", há trinta anos atrás, uma referência por aquelas bandas, hoje em franca decadência, e fui tocar à campainha da vivenda do Padinha, um amigo músico que nunca fez outra coisa na vida. O velho Toyota Corolla branco, com a pintura a estalar pelo rodar dos anos, encontrava-se estacionado à porta, sinal de que ele estava em casa. Fartei-me de tocar à campainha mas ninguém veio abrir a porta. Quando estava prestes a desistir, o vizinho da moradia da frente, muito prestimoso, chamou-me para me informar que o Sr. Padinha compõe música no computador durante toda a noite e de dia dorme, só acordando ao final da tarde. Há tempos, segundo me informou, foi preciso falar com ele durante o dia, por causa do arranjo de um problema qualquer nos canos, e foi uma carga de trabalhos para ele abrir a porta. Teve de vir o pai, de Almada, com a chave de casa, porque o Rui Padinha, antes do cair da tarde, nem com um tremor de terra de grau 8 na escala de Richter abre as pestanas.
Voltei para trás, sempre pelos pinhais, desta vez de frente para o sol, passei pelas praias da Caparica, entrei num trânsito caótico que se aglomerava à chegada à Costa da Caparica, e tive de andar a serpentear pelo meio dos carros, malabarismo que se torna ainda mais complicado desde que coloquei uns alforges laterais na mota. Fiz uma última paragem no miradouro do Convento dos Capuchos, de onde se pode ter uma visão privilegiada sobre a Costa da Caparica, com o oceano em frente, e, para sul, as Terras da Costa a perder de vista. Foi lá que tirei a única fotografia desta minha pequena viagem. Ainda telefonei a um terceiro amigo, o João Venceslau, que ficou radiante com o meu telefonema, mas informou-me que só tinha disponibilidade para estar comigo por volta das 21h00. Ora, por essa hora já eu queria estar em Leiria, de banho tomado, com alguma coisa no estômago e, como de costume, de volta do computador. Despedi-me dele com aquela frase lacónica e gasta pelo uso: "Um abraço. Vemo-nos então noutra oportunidade.." – que ambos sabemos, pode ou não acontecer. A vida é madrasta e lá diz o apanágio: longe da vista, longe do coração. As pessoas deixam de conviver, afastam-se no plano geográfico e depois, em consequência, vão perdendo as referências mútuas, estabelecem novas amizades, novos interesses, o que não deixa de ser cruel, mas natural. Eu é que sou um saudosista, alguém que ainda acredita poder resgatar amizades antigas que, em tempos, foram presentes e intimas, quase quotidianas. Mas a realidade desmente-me. Com alguma pena, mas sem dor, com um conformismo depurado pelo sentimento de que a vida é mesmo assim, fiz-me de novo à estrada e só parei em casa. Pelo caminho, entretanto, o dia foi escurecendo e esfriando, tal como eu.
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Pequena crónica
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Vista aérea da Ponte 25 de Abril num dia nevoento
Praticamente todos os anos tenho a sorte de sobrevoar Lisboa, quer de dia, quer durante a noite, e, regra geral, sempre que fico junto à janela, nunca me canso de tirar fotografias com a minha pequena máquina digital Olympus. É um hábito um tanto ou quanto assaloiado, até porque a frequência com que ando de avião já deveria ter amansado quaisquer destes entusiasmos, mas assumo plenamente este gosto nunca esmorecido. A imagem que publico é porventura a mais fantástica que alguma vez vi da nossa Ponte 25 de Abril. Trata-se de uma fotografia obtida pelo Comandante José Costa, piloto de um Air Bus A320, num dos seus muitos vôos com terminus no aeroporto da Portela.
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Fotografia
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