terça-feira, 29 de março de 2011

Anjo - Roupa Nova


Saudades de os ver ao vivo no Canecão do Rio de Janeiro.

Um parque na cidade

Decolores
A Primavera é linda!
A serenidade de um lago romântico
O repuxo das três bicas
A Casa do Lago
A Primavera é linda e inspiradora para fotografar. Não faltam belezas ávidas por serem captadas pelo nosso olhar.

O Síndrome do Corno Retroactivo

Em 1973, um grupo de homens assaltou uma dependência do Kreditbank em Estocolmo e fez reféns os empregados do banco. O sequestro durou seis dias. Uma vez resgatadas, as vítimas mostraram uma estranha simpatia e empatia pelos seus raptores. Essa reacção psicológica correu mundo com o nome de Síndrome de Estocolmo. Tudo isto tem sido lembrado a propósito de um caso relativamente recente, passado com a austríaca Natascha Kampusch, raptada e fechada num quarto entre os dez e os dezoito anos e que, depois da sua fuga e do subsequente suicídio do raptor, demonstrou sentimentos bastante compreensivos. Este síndrome não é mais que uma resposta psicológica que encontramos em situações mais quotidianas, como a violência doméstica, exercida quer a nível físico, quer a nível emocional, sobre muitas mulheres, que posteriormente não só se mostram capazes de desculpar o seu agressor, como também se convencem que a agressão pode afinal ser 'uma prova de afecto'.

São muitos os comportamentos de índole patológica que ganharam o nome de algo a que se ligaram ou do cientista que os catalogou. O chamado Síndrome de Asperger, transtorno de Asperger ou desordem de Asperger, é uma síndrome do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardamento global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. Alguns sintomas deste síndrome são: dificuldade de interacção social, falta de empatia, interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, isso pode ser conciliado com um desenvolvimento cognitivo normal ou alto.

O Síndrome de Tourette, é uma doença que provoca tiques e obriga a dizer palavrões. Os portadores do Síndrome de Savant são um mistério que fascina e intriga a ciência. Donos de uma memória extraordinária, são capazes de decorar livros inteiros depois de uma única leitura ou tocar uma música na perfeição após a primeira audição. Possuem ao mesmo tempo sérios défices de desenvolvimento, como uma grande dificuldade para falar e se relacionar socialmente. O mais famoso savant do mundo, o americano Kim Peek, que inspirou o director Barry Levinson a fazer o filme Rain Man, aprendeu a ler aos dois anos de idade e, hoje, já adulto, sabe de cor mais de 7.500 livros.

São muitos os síndromes e com certeza não conseguiria enumerá-los na totalidade, quer por desconhecimento dos mesmos, quer por falta de tempo ou de interesse textual. Acho, no entanto, uma injustiça que a possibilidade de conferir epítetos a certos tipos de comportamentos, identificáveis como síndromes, seja apanágio das doutas inteligências, homens da ciência que os identificaram, ou dos lugares onde esses mesmos comportamentos tiveram lugar. Estivado por um espírito criativo, amante confesso dos neologismos, dos barroquismos, e dos lupanares da linguagem, decidi apelidar um comportamento estereotipado - do qual infelizmente já fui vítima -, comum entre certos amantes, que confundem relacionamento com posse, amor com fusão, e paixão com delírio de ciume, de 'Síndrome do Corno Retroactivo'. 

O Síndrome do Corno Retroactivo, catalogado por mim, como todas as doenças do foro patológico, caracteriza-se por um  ciume intenso, a raiar o absurdo, por quaisquer tipo de relações amorosas havidas com a pessoa com a qual se tem uma relação presente. Essa postura ridícula, excessiva e obsessiva, é capaz de corroer rapidamente relações e fomentar intolerâncias. Parece, no entanto, que certo tipo de pessoas estão condenadas ao ciúme e que a história da sua vida se desenrola na permanente superação desse sentimento que as visita com uma regularidade mais do que desejável. Essas mentes doentias, sofrem por serem ciumentas, porque têm medo que esse sentimento fira o outro, e porque sabem que se deixam submeter a uma imensa banalidade e prova da sua baixa estima. O doente com Síndrome do Corno Retroactivo, não tolera telefonemas de pessoas que passaram pela vida do seu/sua parceiro, ainda que seja para falar de coisas triviais, mas necessárias, tais como assuntos relacionados com um filho comum. Não tolera ver fotografias de antigos namorados/as, ainda que amarelecidas pelo tempo. Não tolera conversas sobre assuntos amorosos do passado dos seus actuais amantes, e é capaz de abrir cartas que não lhe são dirigidas, rebuscar telemóveis à procura de chamadas recebidas ou efectuadas, ou de eventuais mensagens.

Temos ciumes sempre por más razões. Ou por medo de perdermos o amor, a consideração ou simplesmente a atenção de alguém; por não sermos suficientemente bons para prender a nós as pessoas. Este ciúme auto-infligido pelos que padecem do Síndrome do Corno Retroactivo, assenta sempre numa insegurança básica, numa angústia de quem sente sobre si o desabar do mundo, só de pensar que o 'objecto' do seu amor já foi possuído por outrem. O doente sente-se um corno eterno e irremediável e não encontra forma de se ver livre das 'hastes' que tanto o perturbam. A bem dizer, não há nada que o convença, nem que consiga entrar dentro dos seus neurónios, de que os 'outros' fazem parte do passado e que inevitavelmente todos nós temos uma história de vida, que não podemos nem devemos renegar. O corno retroactivo até sofre com a não virgindade do seu parceiro/a e destrói tudo com delírios insuportáveis.

Ainda que nos faça cair o queixo de espanto, é certo que há por aí muitos gentios a sofrer do Síndrome do Corno Retroactivo, ávidos por infernizar quem ingenuamente se lhes submete. E se num primeiro momento, o seu ciume expresso e reivindicativo, até que parece valorizar o outro, até lhe concede um estatuto de desejabilidade intensa e impensada que sabe bem, rapidamente se percebe que esse outro não conta muito, não é amado mas possuído, não tem espaço de afirmação próprio, mas antes se usa para expelir angústias que não lhe dizem respeito. Por estas e por outras, há muito que aprendi a detectar pessoas portadoras desta patologia e a melhor forma de as evitar, mas ninguém, onde eu me incluo, está livre de errar de novo. E por vezes o que apetece é mesmo uma postura trivial de não compromisso, capaz de evitar encontros de terceiro grau com portadores deste síndrome: '- Olha, vamos dar uma queca mágica? - E o que é uma queca mágica? - pergunta ele/a. - Uma queca mágica é muito simples: damos uma queca e depois tu desapareces'. 

Leiria fotoshow

O Castelo de Leiria
O Castelo de Leiria
O amor acontece...
A Praça Rodrigues Lobo e o Castelo
Nas cercanias da Sé
Uma ponte sobre o Lis
A noite cai sobre a cidade
Uma antiga farmácia, hoje um bar da moda
Uma entrada curiosa
O fontanário à noite
Efeitos e repuxos
Os ex-libris da cidade
O velho Dakota da BA5
Os canais românticos ao entardecer
O entardecer sobre a cidade
A Praça Rodrigues  Lobo ao anoitecer
'A view to a room' - da janela do Ateneu
O casco histórico
Um edifício com cachet
O Lis e a solidão
Uma 'outra' visão da cidade
Os canais no Marachão ao morrer da tarde
Flores mais lindas!
Um périplo fotográfico pela cidade do Lis, cobrindo várias facetas e momentos do dia. Um olhar pessoalíssimo sobre a cidade onde vivo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Costa Vicentina - um passeio breve

A fotografia mais fascinante da viagem, tirada pela dona da Suzy - O areal junto à Lagoa de Santo André ameaçado pela tempestade
A Ilha do Pessegueiro, ao longe, no meio de um mar revolto, mesclado de verde e azul
Ele há o guardador de rebanhos e o guardador de motas
À espera dos mouros - mais vale esperar sentado
A travessia no ferry Setúbal-Tróia
Um banco para observação do oceano e do infinito...
Em observação das gaivotas e de outras aves inomináveis
Aquela nuvem escura que, de quando em quando, me acompanha para onde quer que eu vá, desta vez deixou-se fotografar
A rua principal de Porto Covo logo cedo pela manhã
O Castelo de Santiago de Cacém deixou-se iluminar pelo sol por breves instantes
A Lagoa de Santo André e as suas ilhotas onde habitam espécies protegidas (eu também sou uma espécie em vias de extinção, mas quase ninguém me acredita)
Um xis no céu ou o totoloto do infinito

A tranquilidade das terras alentejanas traz a calma e a paz de que se necessita em qualquer viagem de lazer. Uma fuga à realidade apenas desfeada pela chuva intensa que foi companhia em grande parte do percurso. Um lugar mágico e intenso para, sem dúvida, retornar num dia mais azul.

[Eu pertenço àquela nata de 'gente ilustrada' que abomina fins-de-semana passados em centros comerciais - com a honrosa excepção das visitas à Fnac e às boas livrarias -, que deplora ajuntamentos, critica o consumismo e torce o nariz aos mastodontes. Nada como a comunhão com a natureza, a tactilidade das coisas do campo, a observação das aves que desenham voos rasantes sobre a copa das árvores, as cegonhas empoleiradas nos postes de alta tensão, a dúctil inocência das gentes campesinas, a visão do oceano infinito, a simplicidade magnânima de tudo isso. Lírico, dirão. Mas, por certo, irremediavelmente assim.]  

Rui Veloso - Porto Covo



Uma das canções que marcaram os anos 80 em Portugal, a música de Rui Veloso que tornou célebre Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro.

sábado, 26 de março de 2011

São palavras assim...

Há cerca de dez anos atrás - decididamente muito mais literato lambiscado, desprezando por completo os processos simples, fáceis, de construção textual, numa fase em que as minhas preferências se focavam na escrita de poesia e prosa poética - saiam-me, em catadupa, poemas e textos em que a expressão do amor, e sobretudo da paixão, quase tocavam o ridículo. Mas, como dizia Pessoa, 'todas as cartas de amor são ridículas, ou não seriam cartas de amor',  e nesse sentido estarei porventura desculpado. À época, que não é tão distante assim, a minha prosa poética, eivada de matizes ultra românticas, não conseguia outra forma de expressão. Duvido que hoje conseguisse escrever assim.

Este texto, por insistência de uma pessoa amiga, foi publicado num semanário regional e igualmente num pasquim, originais em formato de papel que não guardei, tendo recebido elogios que me deixaram embaraçado. O elogio incomoda. É um excesso mesmo quando é verdade. É uma espécie de gentileza sem tacto. Claro que quem elogia pretende ser amável, mas confunde a divulgação mediática com a qualidade e repete sempre um clichê que ouviu a alguém. O aspirante a poeta, cheio de ambições, é aniquilado por este elogio. Perante elogios feitos daquela forma, percebe-se logo que o elogiador não lê poesia e o autor sente-se humilhado perante aqueles que efectivamente a lêm e possuem a sensibilidade apurada para a apreciarem. Foi precisamente essa a sensação deixada e a experiência, por minha opção, jamais se repetiu.

Uma das maravilhas da plataforma do blogger é a possibilidade de publicação de textos em diferido. É o caso deste post, que deixei a marinar na sexta-feira para que fosse publicado, hoje, sábado. E, à falta de imaginação para textos novos, e sobretudo de tempo disponível para o fazer, vou desencantando velharias do baú. Por estas alturas, estarei no sul, algures nas bandas da Costa da Caparica, para mais um passeio de fim-de-semana, que, com excepção da região norte/centro, se espera sem chuva. A ver vamos. 

Um libreto de amor

Há palavras que têm sabor, palavras que se deixam degustar enquanto as sentimos rolar por sobre a língua, antes de abrirmos ao de leve os lábios para as deixarmos sair;
 
Enquanto existem em mim, sabem a sonhos, a esperança, mas quando mas calas com um beijo e fogem para a tua boca, sabem-me a amor e a paixão; quando mais tarde as exalas inesperadamente, sabem-me a destino;
 
Quando mas sussurras ao ouvido; quando mas gravas com os dedos sobre a pele; quando mergulho os meus olhos nos teus e as vejo navegar na tua alma; quando vislumbro uma sílaba perdida no canto da tua boca e provo uma letra apressada no gosto do teu sorriso...
 
Há palavras que têm cheiro a mil passeios de mãos dadas, no parque, na praia…; que soam como música perdida nas estrofes de vento que refrescam o verão…; que uivam na tempestade para que as lembremos para sempre…; que cantam para nós de manhã para que o nosso despertar seja suave e melodioso…; que nos imprimem vida, movimento, ritmo…
 
Há palavras que nascem bem dentro de nós e que ficam lá mesmo depois de as gritarmos ao vento e de as levarmos pela mão a conhecer o mundo de outra pessoa. Palavras que embalamos sem mesmo nos darmos conta e das quais nos alimentamos com cada vez mais avidez…
 
São palavras que um dia nos batem à porta de mansinho e nos pedem para entrar… e não encontramos forças para as mandar embora… e deixamos que fiquem e que, aos poucos, vão tomando conta de nós… exigindo ser o nosso centro… o âmago de tudo…
 
E, quando enfim, derrubadas todas as barreiras, nos preenchem, querem mais, querem ser partilhadas, porque são especiais, porque querem colorir os dias daqueles que amamos e unir-nos ainda mais, sem pressas, porque têm todo o tempo do mundo para fazer-nos felizes…
 
São palavras assim como: Amo-te! … Que me aproximam de ti a cada dia que passa, palavras que me preencheram os silêncios e me elevaram os sonhos e, em cada um deles, consigo entrever linhas de vida ainda inenarradas, acenando-me por entre os traços do teu sorriso,  convidando-me a aproximar-me, a prová-las na tua boca para sentir que são iguais às minhas, e que também elas querem que fiquemos juntos para sempre…


Jorge Rebelo


* Escrito no ano 2001, na cidade do Barreiro, num momento de 'intensidade' que faz muito tempo não aflora a minha mente, esta minha (antiga) faceta encontra-se porventura num limbo, à espera de uma notificação para sair do 'idilicamente' e reencarnar em mim, ser pecaminoso. [Os homens são espantosamente sempre mais vulgares do que aquilo que escrevem e eu não fujo a essa regra.]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Focus 'Sylvia'



'Sylvia' foi composto em 1972 por Thijs van Leer, organista, flautista, vocalista, compositor e leader da banda holandesa Focus, por ele fundada em 1969. Trata-se de uma música extremamente rica em harmonia e progressão de escalas, feita à medida do guitarrista, o espantoso Jan Akkerman, à época, considerado um mito. Foi, aliás, o guru e mestre de guitarristas que se vieram a tornar também eles virtuosos, como Eric Clapton, Carlos Santana, Joe Satriani, entre outros. Os Focus eram considerados como pertencendo à corrente do 'rock progressivo' que atravessou os anos 70. Brilharam pelo virtuosismo dos seus músicos, pela originalidade dos efeitos vocais de Thijs, e pelos longos solos de flauta, guitarra e bateria, onde cada um dos músicos da banda exibia os seus dotes. Foi, na minha opinião, uma das melhores bandas de rock de sempre.

Bee Gees - How Deep Is Your Love (live, 1998)



O pirosismo musical de que alguns me acusam dá mostras de estar bem vivo e recomenda-se. Se não, veja-se. Sempre adorei esta balada, um som demasiado retro, que teve a sua época, é certo, mas que não deixa de ser belo só por ser velho. As pessoas de agora, mormente os mais jovens, julgam que o mundo começou com eles e que as músicas de há décadas atrás nem merecem a pena ser escutadas. São coisas de velhos, foleiradas, dizem. Esquecem-se que o que sustenta uma árvore são as raízes, não os ramos. Mas isso é um problema deles que provavelmente só conhecerá solução daqui a mais alguns anos.


I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
and the moment that you wander far from me
I wanna feel you in my arms again.

And you come to me on a summer breeze
keep me warm in your love then you softly leave
and it's me you need to show
how deep is your love

(Chorus)
Is your love
How deep is your love
I really need to learn
Cause we're living in a world of fools
breaking us down
when they all should let us be
we belong to you and me.

I believe in you
you know the door to my very soul.
you're the light in my deepest darkest hour
you're my saviour when I fall..

And you may not think that I care for you
when you know down inside that I really do
and it's me you need to show How deep is your love?

(Chorus)

La da da da da, la da da da da da da da da da da


And you come to me on a summer breeze

keep me warm in your love and then softly leave
and it's me you need to show
how deep is your love

(Chorus repeat to fade)