sexta-feira, 22 de abril de 2011

Procol Harum - A Whiter Shade Of Pale (From "Live at the Union Chapel")



British rock legends Procol Harum are captured here at their finest, in concert at London's Union Chapel. It was the last night of a tour that had taken them from London through Europe, Japan and North America and back again to London and the band celebrated with a truly magical performance of the rarely heard full version of the immortal A Whiter Shade Of Pale.

Fonte: You Tube

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um tempo 'border line'

O céu de Leiria
Hoje, a seguir ao almoço, fui à varanda ver se o tempo estava 'estável' para dar uma voltinha de mota e deparei-me com a Casa do São Pedro engalanada de algodão cinza ofuscando um céu anil. Roguei-lhe pragas, mais os raios e coriscos que o partam e à sua personalidade 'border line'! Então, não consegue ficar estável? Nem um bocadinho? Um solezinho, uma abertazinha? Homessa, então que tome o Prozac! (haverá dessa alquimia para santos?!). Quer um homem vruuuuuummmm vruummmmm, cof... cof.. .cof...  por aí fora e põe-se com um tempo assim. Que coisa! Que que mau humor! Fónix!

Estação de Martingança - Linha do Oeste

O meu mundo é azul!
Estação de Martingança - Um apeadeiro parado no tempo
Velhos vagões enferrujando
Será um míssil russo comprado no mercado negro?
A linha do Oeste  - uma ferrovia, há muito, parada no tempo
O destino leva-me, a pedalar...
A minha azulinha estava com sede, avistei uma bomba de gasolina, com descontos e tudo e...
Já só havia esqueletos. Da gasolina, nem o cheiro...!

Ennio Morricone 'Novo Cinema Paradiso '


Raios me partam se eu não fico com os olhos em bico até conseguir tocar assim! Esta criança chinesa consegue tocar Ennio Morriconi (Cinema Paradiso) com uma clareza e um brilho fantásticos. Domina o dedilhado, o arpejo (enquanto que num acorde as notas são tocadas simultaneamente, no arpejo essas mesmas notas são tocadas uma a uma) e o tempo certo de forma exacta. Não me admirava nada se me dissessem que já toca guitarra desde os 4/5 anos de idade. O velho ditado popular, 'É de menino que se torce o pepino', que, como tantos outros, perdeu a sua origem na noite do tempos, denota uma vez mais a sua sapiência ilimitada.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia do Motociclista

BMW 1600 6 cilindros - Não a comprei porque só tinham em cinza metalizado, é que eu com as cores sou bué de esquisito



À entrada do recinto, uma máquina emblemática
Os motociclistas começam a chegar. Daqui a nada serão mais de 35000
Durante toda a manhã e até ao início da tarde, chegavam motas aos milhares!
A vespinha da Barbie
Entretanto chegou o Ken na sua vespa branca
Uma mota transformada em carro funerário?
Minha mãe, tantas motas juntas!
Aos poucos, a Praça da Canção, onde cabem vários campos de futebol, ia enchendo
Os meus colegas arrumadores de motas
Tínhamos de arranjar lugar para todos os que iam chegando
A Yamaha Diversion 900 ( ao centro) do padre Zé Manel era a rainha da festa
Eu tenho mais de cinquenta anos, sou uma BMW 650 e estou aqui para as curvas.
Desculpem, tenho de ir para casa mais cedo. Alguém me diz como posso sair com a minha mota? Olha, chama um helicóptero.
Fónix! Mesmo com uma mini espada espetada na testa e cheio de dores de cabeça, obrigam-me a fazer exibições para estes insanos motards!
Ainda não percebi porque é que toda a gente diz que  me acha parecido com o branquinho...
Vá lá, porta-te bem se não não comes as favecas
Olha. Vamos carregar sobre estes motards todos? Que saudades de uma boa carga! Aí, Alentejo, Catarina Eufémia! São tempos que não voltam mais.
Toca a acordar que já é de dia! Abre a pestana, ó motard!
Mãe. Quando eu for grande posso ser motard?
Ai, um bicho!
A iguana motard
Ó meu. Vê lá se ainda cabe aí mais algum emblema.
Montar para viver, seu ordinário?!

Bem, vou mesmo comer a cobra.
O padre Zé Manel ao centro
O padre Zé Manel ao centro, ladeado por outros sacerdotes
Um GNR vaidosão
Ó motard que passas , existe algum (G)rande (N)inhada de (R)atos mais belo do que eu?
Os gloriosos malucos das máquinas voadoras não faltaram
Que loira motard mais boazona!
Fónix! Afinal...havia outra!
Eu escolho o da Aprilia, claro!
Ó fitinhas, já tinhas visto alguma vez tantas motas juntas?
O padre Zé Manuel a montar na garupa da sua Yamaha, pronto a abençoar toda a gente
Padre Zé Manel, uma lenda viva
E, finalmente, o amor acontece
Coube este ano ao Mototurismo do Centro, do qual orgulhosamente faço parte, a organização do Dia do Motociclista, evento que decorreu no terreiro da Praça da Canção, em Coimbra. O culto religioso, como já vem sucedendo há alguns anos, presidido, pelo Padre Zé Fernando, motard convicto e já uma lenda nos meandros do motociclismo nacional, culminou com a bênção das motas, dos capacetes e dos motociclistas, no que foi o clímax da celebração do culto. O Padre Zé Fernando, apesar de bastante debilitado face ao tumor maligno que lhe tem consumido as energias e a vida, lançou sábado, dia 16 de Abril, a sua autobiografia; e, no Domingo, após a celebração da Eucaristia, ainda arranjou forças para, de pé, na sua Yamaha 900 Diversion, conduzida por um companheiro, benzer os motociclistas presentes, que erguiam as mãos ao alto numa quase histeria colectiva. O Padre Fernando, constitui um exemplo para todos nós e as suas palavras uma fonte de inspiração.

À parte o falecimento de um companheiro, que se dirigia para Coimbra (estava no local errado, à hora errada), oriundo de Sesimbra, na zona de Pombal, devido à queda repentina de um cabo de alta tensão, que o fez cair da mota e perder a vida, o evento decorreu sem outros incidentes dignos de registo. Uma vez mais, saliento uma especificidade única, difícil de encontrar noutro género de agremiações, que é o companheirismo inigualável, a cumplicidade e a sensação de pertença a uma 'tribo' que nos diferencia dos demais. Gostamos de andar de mota, gostamos de motas, e, mais não fora por isso, gostamos mais uns dos outros. Que os sortilégios da sorte nos abençoem e nos garantam prazer e boas curvas. E como diria alguém, numa frase gasta pelo uso, cuja origem se perdeu na noite dos tempos... - : 'Andar de mota é uma arte. Cair, faz parte'.

sábado, 16 de abril de 2011

Somewhere Over the Rainbow - Eric Clapton

Dos Homens Feministas

É sem dúvida uma nova óptica para a visão feminista e que agrada de sobremaneira a muitas mulheres, o ainda pouco explorado campo que nasce do entendimento de que o machismo prejudica os homens. Não só as mulheres são moldadas para assumir papéis dentro da cultura machista. Os homens também. Reflectindo sobre a educação machista tradicional, percebe-se que ela busca exercer sobre as meninas uma repressão explícita, externa, procurando podar a sua acção social. Mas dentro do universo da ideologia machista essa repressão é oculta. Permite e incentiva a capacidade da mulher na liderança e competência sobre a esfera doméstica, disfarçada nas pseudovantagens proporcionadas pelo machismo: a protecção da mulher, ser frágil, em troca da sua subserviência (uma espécie de 'feudalismo machista'); a ideia pré-concebida de que é ao homem que cabe o papel principal no sustento do lar e que tem a última palavra em tudo - 'ela manda em casa e eu mando nela'. Com o movimento feminista, a repressão social sobre a mulher passou a ser entendida, inclusive pelos homens, como uma desvantagem social, um preconceito sobre a mulher. Mais tarde, depois de tantas posições extremadas por parte das feministas, serviu de bom argumento na boca dos 'contra-revolucionários' a postura radical de algumas mulheres, pese embora coerente com a necessidade de resposta inicial à repressão histórica da ideologia machista sobre a expressão social da mulher. Porém, a cronicidade desse comportamento agudo de radicalidade, acabou fazendo com que o movimento feminista, cerca de um século depois de iniciado, seja ele mesmo, de certa forma, também um repressor da expressão feminina. 

Hoje em dia muitas mulheres evitam se afirmar feministas, pois facilmente se comprova que a grande maioria das pessoas entende “feminismo” como o “machismo das mulheres”. A importância do homem feminista está, entre outras coisas, em acabar com qualquer tipo de rótulo, trazendo o significado do termo “feminista” de volta para sua origem de “luta contra o machismo”. O homem feminista a que me refiro é aquele que finalmente entendeu que a cultura machista faz-lhe mal, prejudica-o, e é responsável por grande parte das suas dificuldades emocionais e problemas pessoais. E o mesmo se diga do feminismo exacerbado de algumas mulheres, que, num passado recente, tomaram atitudes patéticas como as de queimarem soutiens em público, renegarem o casamento heterossexual, exigirem quotas no Parlamento e em todos os cargos e empresas públicas, com o argumento, hoje perfeitamente desajustado, da necessidade da 'discriminação pela positiva'. 

Nos dias que correm, pelo menos no nosso país, a maioria dos estudantes do ensino superior são mulheres - os homens, culturalmente, são mais imediatistas, querem começar a ganhar dinheiro rapidamente e não têm grande paciência para gastar anos das suas vidas em prol do estudo. O certo é que a maioria dos cargos dirigentes, num futuro não muito longínquo, vai pertencer ao género feminino. À parte a crescente e, infelizmente, comum violência doméstica - um problema muito preocupante e sério, talvez por ser o  superlativo de todos os comportamentos machistas, cujo silenciamento se deve ao pavor gerado por estigmas sociais e medos, hoje pouco sustentáveis -, bem como alguns casos perfeitamente identificados de discriminação laboral, a mulher, na nossa sociedade, é um ser igualitário. Como em tudo, é na mediana, no equilíbrio e na harmonia, que jaz o bom senso, o adequado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não sejam os homens machistas, tornem-se homens feministas, nem se envergonhem do vosso 'lado feminino'. Não fiquem as mulheres feministas, radicais, com fervor excessivo, irracional e persistente, com o género invertido, dispostas a perder, em nome daquilo que, por vezes, justamente reivindicam, o que em vós tem mais graça, e é a fonte maior do desejo masculino: a vossa atraente feminidade.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Diana Krall - The Look Of Love


Diana Krall é ela mesmo: 'The Look of Love".

O Coelho da Páscoa, as amêndoas e a nova técnica motociclista

Estamos quase na altura da Páscoa, época sacra em que toda a comunidade cristã celebra a ressurreição de Jesus Cristo, como o ritual da sua passagem da morte para a vida. Talvez, ainda mais do que o Natal, seja o dia santo mais importante da religião cristã. Como ateísta agnóstico assumido, não participo das celebrações pascais, pois não faz parte do meu conhecimento a existência de Deus, nem acredito que ele exista. Mas isso não faz de mim um intolerante cismado com as crenças dos outros. Muito pelo contrário. Com o rodar dos anos, cada vez me tenho tornado mais respeitador para com as crenças, a fé, as filosofias, as opções de vida e as vontades alheias. Aplaudo, de coração aberto, aquela frase gasta, tanto é o uso que lhe têm dado, de que 'a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros'. Nada é mais real e cordato. Devemos respeitar o espaço do outro, e não só o seu espaço físico, como também o seu espaço de interioridade. Só assim podemos viver de pleno a justeza que é permitir ao outro, que se desenvolva num ambiente que ele próprio criou e desejou para si. 

Depois de neste pequeno entreacto ter explicado quais as agulhas com que me coso, no que a esta tradição pascal respeita, cumpre-me dizer que nem tudo o que é Páscoa me é indiferente. Ontem, por exemplo, estando eu no Continente, na secção dos livros, vi, pelo canto do olho, no corredor central, estrategicamente colocado, um coelho enorme - todo ele era chocolate! - a sorrir para mim. Junto às patas, propriamente falando, uma vez que estamos a falar de um leporídeo, pese embora de chocolate, jaziam imensos pacotes de amêndoas de todas as sortes e feitios. Fiquei logo encantado. Adoro amêndoas. São uma compulsão a que dificilmente consigo resistir. Consigo devorar, em poucos minutos, um pacote daqueles bem grandes - depois fico muito nauseado, mas isso é outro folhetim. 

Mansamente, já com dois espécimenes de cultura nas mãos, esgueirei-me até perto do coelhinho de chocolate, que afinal não era tão grande como parecia e já apresentava sinais de derretimento, e escolhi dois pacotes de amêndoas: um do tipo francês e outro mais comum. Juntamente com dois livros, uma cera líquida, duas velas de cheiro, um cacho de bananas e uma fita adesiva para colar o cano de plástico do meu famigerado aspirador (Dura mais tempo o Carnaval do que o cano de um moderno aspirador! Que saudades do Nilfisk de inox da minha mãe, que durou quase 30 anos sem avarias!), dirigi-me para uma das caixas registadoras. Ainda pensando no coelhinho de chocolate que, com o calor que estava, devia estar cada vez mais parecido com uma vela de cera derretida, saí com a ignorância a latejar na cabeça, por não saber o porquê da associação que comummente se faz entre o coelho e a Páscoa. Sei que o coelho é um animal presente na cultura popular como símbolo de fertilidade, mas desconhecia porque o associavam à Páscoa. Se me perguntarem se conheço o Bugs Bunny; o Coelho Branco, histriónico, sempre apressado, da 'Alice no País das Maravilhas'; o logótipo da revista 'Playboy'; o Lorde Coelhão da turma da Mónica, ou mesmo o Roger Rabbit, seguramente que a minha resposta é afirmativa. Mas o Coelho da Páscoa, com franqueza, só mesmo de o comer, aquando das minhas lambuzadelas em chocolate.

Intrigado com o assunto, chegando a casa, consultei a Larousse sobre o tema cunicultura e aprendi que o tempo de gestação de uma coelha é de apenas um mês, podendo ter entre quatro a seis filhotes, amamentando entre vinte e trinta dias. A bichana, vinte e quatro horas após o parto, entra novamente no cio (Fónix! Não há coelho que resista a débitos conjugais tão 'desumanos' e os pobres coelhos, ao contrário do que por aí se diz acerca de doenças, não morrem seguramente de mixomatoses, mas sim devido a esforços violentos relacionados com o antónimo de inação). Agora também já percebo melhor porque é que os jovenzitos púberes, onanistas, apresentam grandes olheiras, tal como alguns coelhos. A diferença, e não é tão pouca quanto isso, é que o coelho, ao que parece, ainda que morra do excesso da função, consegue extrair algum gozo da coisa. O mesmo não se diga dos púberes, onanistas de plantão, sempre com aquele tom escurecido abaixo da região ocular, que fantasiam freneticamente o objecto do desejo, mas, coitados, têm de se auto governar.


[Agora sei que o coelho é um símbolo muito comum na Páscoa, porque a sua fertilidade tem a ver com a esperança de uma nova vida. É uma metáfora bonita, tal como 'fazer amor à coelho' - para infortúnio das mulheres, sempre ávidas de longos preliminares.]

Mas, deixando para trás as 'subtilezas' em que paulatinamente a minha escrita se tem vindo a transformar, falta-me falar de uma nova técnica, por mim desenvolvida, que pretendo patentear junto da comunidade motard. Trata-se de conseguir conduzir uma mota comendo amêndoas em simultâneo. É simples e passo a explicar:

Usando um capacete integral, a técnica torna-se quase impossível de ser usada, pelo que se deve optar por um capacete semi-integral, que deixe a boca livre. 

1.Coloca-se o pacote das amêndoas, já devidamente aberto, com muito cuidado não vá ele rasgar-se e as ditas escorregarem pelo corpo todo, entalado no blusão motard. Este, por sua vez, não pode estar fechado até acima, para permitir a entrada de dois dedos lá dentro. 

2.Guardam-se as luvas, tira-se a mota do descanso, e inicia-se a marcha. Sempre que o trajecto seja uma recta, sem desviar os olhos da estrada, colocam-se os dedos médio e indicador da mão esquerda - aquela que usa a embraiagem - dentro do blusão e retiram-se duas a três amêndoas, que rapidamente se metem na boca. 

3. De seguida, após as curvas, e logo que surja de novo uma recta, repete-se o procedimento, até que o pacote fique vazio. 

Posso-vos garantir que, na minha azulinha, dei umas voltas pela cidade e quando cheguei à porta da garagem, tinha deglutido um pacote inteiro de amêndoas francesas. Na altura, tantas foram as francesas que comi que me senti internacional - uma espécie de Zézé Camarinha da Páscoa -, mas hoje de manhã acordei enjoado e nem queria ver uma única francesa à frente, fosse ela cor-de-rosa, verde ou amarela. Tudo o que é demais enjoa e o prazer levado à exaustão rapidamente se transforma em sofrimento e desprazer. Agora entendo a erotomania forçada dos pobres coelhos. Não admira que qualquer dia se assista a uma 'nouvelle vague' de coelhos gay.


PS. Dêem-me um desconto ou imploro que me internem, já que a minha capacidade de redigir textos sóbrios anda pelas ruas da amargura.

Dia do Motociclista

Como o meu clube, o Moto Turismo do Centro, é quem vai organizar o evento, já fui, compulsivamente, recrutado para trabalhar. Ao que parece, vou fazer de policia sinaleiro, mas antes isso do que guardador de motas, é que, segundo estimativas, que li mas não faço ideia como foram obtidas, esperam-se mais de 35.000 motociclos e ciclomotores, durante o fim-de-semana, na cidade do Mondego. O meu receio é que, à semelhança do que se passa nas cidades holandesas com os velocípedes, os motociclos sejam tantos que não consiga no final do dia encontrar a minha Aprilia. Depois, só me restava fazer como os holandeses fazem com as bicicletas: governava-me com outra. Se me calhasse uma BMW 1200 GS, até que não ficava mal servido...