sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ten Years After live no' Woodstock Festival' - 1969.




Para encerrar mais um momento de nostalgia, termino esta sucessão de publicações musicais com uma das actuações mais emblemáticas de entre os mais de 30 músicos que passaram pelo palco do Woodstock Festival. Muito deles, como Janis Joplin e Jimi Hendrix, faleceram pouco tempo depois deste evento, face ao consumo excessivo de drogas duras, mas ainda se encontram vivos, e de boa saúde, muitos dos músicos que pisaram o grande palco naqueles três dias de Agosto de 1969.

Woodstock, foi como ficou conhecido um festival de música anunciado como ' Três dias de Paz & Música', realizado em Agosto de 1969, na fazenda Max Yasgur, na cidade rural de Bethel, no estado de Nova Yorque. O festival, com mais de meio milhão de espectadores, já que a certa altura, por impossibilidade absoluta, deixaram de cobrar ingressos, exemplificou a era hippie e a contra-cultura do final dos anos 1960 e começo de 70: uma geração contestatária da guerra do Vietname, adepta do amor livre, do uso livre de drogas, do 'make love, not war', presente num concerto que é considerado a síntese de toda uma década. O  evento, original à época, e que inspirou nas décadas seguintes bastantes réplicas, provou ser único e lendário e é hoje comummente reconhecido como um dos maiores momentos na história da música popular. Este vídeo mostra a actuação de Alvin Lee, o vocalista, guitarrista e leader dos 'Ten Years After', num momento único da sua performance no Woodstock Festival. Com a sua Gibson vernelha, a imagem de marca, que veio a ficar famosa por ter o símbolo dos hippies estampado, e a inconfundível voz rouca, Alvin, fez as delicias dos presentes. A certa altura, como se pode ver no filme, já que o evento foi capturado num documentário lançado em 1970, alguém se dirige ao palco, no intervalo das actuações, para anunciar ao microfone: 'don't buy the acids in circulation, because they are a shit! If you want good acids, come next to me'. Os anos 60 e 70, foram os anos de ouro do rock n' roll, e toda a música das gerações que se lhes seguiram, não carrega a simbologia nem a força daquilo que se convencionou apelidar de 'verdadeiro rock.'

Moody Blues - Nights In White Satin (From "Live at Montreux 1997")


The Moody Blues were formed in Birmingham in the early sixties and were immediately successful, going to No.1 with their second single Go Now. As the sixties progressed their music evolved into a more lush, psychedelic sound and with the arrival of Justin Hayward and John Lodge the classic line up came together and produced the masterpiece Days Of Future Passed, which contained their classic hit single Nights In White Satin and Tuesday Afternoon. This propelled the band to a new level of success which they have sustained ever since.

Fonte: You Tube

Procol Harum - A Whiter Shade Of Pale (From "Live at the Union Chapel")



British rock legends Procol Harum are captured here at their finest, in concert at London's Union Chapel. It was the last night of a tour that had taken them from London through Europe, Japan and North America and back again to London and the band celebrated with a truly magical performance of the rarely heard full version of the immortal A Whiter Shade Of Pale.

Fonte: You Tube

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um tempo 'border line'

O céu de Leiria
Hoje, a seguir ao almoço, fui à varanda ver se o tempo estava 'estável' para dar uma voltinha de mota e deparei-me com a Casa do São Pedro engalanada de algodão cinza ofuscando um céu anil. Roguei-lhe pragas, mais os raios e coriscos que o partam e à sua personalidade 'border line'! Então, não consegue ficar estável? Nem um bocadinho? Um solezinho, uma abertazinha? Homessa, então que tome o Prozac! (haverá dessa alquimia para santos?!). Quer um homem vruuuuuummmm vruummmmm, cof... cof.. .cof...  por aí fora e põe-se com um tempo assim. Que coisa! Que que mau humor! Fónix!

Estação de Martingança - Linha do Oeste

O meu mundo é azul!
Estação de Martingança - Um apeadeiro parado no tempo
Velhos vagões enferrujando
Será um míssil russo comprado no mercado negro?
A linha do Oeste  - uma ferrovia, há muito, parada no tempo
O destino leva-me, a pedalar...
A minha azulinha estava com sede, avistei uma bomba de gasolina, com descontos e tudo e...
Já só havia esqueletos. Da gasolina, nem o cheiro...!

Ennio Morricone 'Novo Cinema Paradiso '


Raios me partam se eu não fico com os olhos em bico até conseguir tocar assim! Esta criança chinesa consegue tocar Ennio Morriconi (Cinema Paradiso) com uma clareza e um brilho fantásticos. Domina o dedilhado, o arpejo (enquanto que num acorde as notas são tocadas simultaneamente, no arpejo essas mesmas notas são tocadas uma a uma) e o tempo certo de forma exacta. Não me admirava nada se me dissessem que já toca guitarra desde os 4/5 anos de idade. O velho ditado popular, 'É de menino que se torce o pepino', que, como tantos outros, perdeu a sua origem na noite do tempos, denota uma vez mais a sua sapiência ilimitada.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia do Motociclista

BMW 1600 6 cilindros - Não a comprei porque só tinham em cinza metalizado, é que eu com as cores sou bué de esquisito



À entrada do recinto, uma máquina emblemática
Os motociclistas começam a chegar. Daqui a nada serão mais de 35000
Durante toda a manhã e até ao início da tarde, chegavam motas aos milhares!
A vespinha da Barbie
Entretanto chegou o Ken na sua vespa branca
Uma mota transformada em carro funerário?
Minha mãe, tantas motas juntas!
Aos poucos, a Praça da Canção, onde cabem vários campos de futebol, ia enchendo
Os meus colegas arrumadores de motas
Tínhamos de arranjar lugar para todos os que iam chegando
A Yamaha Diversion 900 ( ao centro) do padre Zé Manel era a rainha da festa
Eu tenho mais de cinquenta anos, sou uma BMW 650 e estou aqui para as curvas.
Desculpem, tenho de ir para casa mais cedo. Alguém me diz como posso sair com a minha mota? Olha, chama um helicóptero.
Fónix! Mesmo com uma mini espada espetada na testa e cheio de dores de cabeça, obrigam-me a fazer exibições para estes insanos motards!
Ainda não percebi porque é que toda a gente diz que  me acha parecido com o branquinho...
Vá lá, porta-te bem se não não comes as favecas
Olha. Vamos carregar sobre estes motards todos? Que saudades de uma boa carga! Aí, Alentejo, Catarina Eufémia! São tempos que não voltam mais.
Toca a acordar que já é de dia! Abre a pestana, ó motard!
Mãe. Quando eu for grande posso ser motard?
Ai, um bicho!
A iguana motard
Ó meu. Vê lá se ainda cabe aí mais algum emblema.
Montar para viver, seu ordinário?!

Bem, vou mesmo comer a cobra.
O padre Zé Manel ao centro
O padre Zé Manel ao centro, ladeado por outros sacerdotes
Um GNR vaidosão
Ó motard que passas , existe algum (G)rande (N)inhada de (R)atos mais belo do que eu?
Os gloriosos malucos das máquinas voadoras não faltaram
Que loira motard mais boazona!
Fónix! Afinal...havia outra!
Eu escolho o da Aprilia, claro!
Ó fitinhas, já tinhas visto alguma vez tantas motas juntas?
O padre Zé Manuel a montar na garupa da sua Yamaha, pronto a abençoar toda a gente
Padre Zé Manel, uma lenda viva
E, finalmente, o amor acontece
Coube este ano ao Mototurismo do Centro, do qual orgulhosamente faço parte, a organização do Dia do Motociclista, evento que decorreu no terreiro da Praça da Canção, em Coimbra. O culto religioso, como já vem sucedendo há alguns anos, presidido, pelo Padre Zé Fernando, motard convicto e já uma lenda nos meandros do motociclismo nacional, culminou com a bênção das motas, dos capacetes e dos motociclistas, no que foi o clímax da celebração do culto. O Padre Zé Fernando, apesar de bastante debilitado face ao tumor maligno que lhe tem consumido as energias e a vida, lançou sábado, dia 16 de Abril, a sua autobiografia; e, no Domingo, após a celebração da Eucaristia, ainda arranjou forças para, de pé, na sua Yamaha 900 Diversion, conduzida por um companheiro, benzer os motociclistas presentes, que erguiam as mãos ao alto numa quase histeria colectiva. O Padre Fernando, constitui um exemplo para todos nós e as suas palavras uma fonte de inspiração.

À parte o falecimento de um companheiro, que se dirigia para Coimbra (estava no local errado, à hora errada), oriundo de Sesimbra, na zona de Pombal, devido à queda repentina de um cabo de alta tensão, que o fez cair da mota e perder a vida, o evento decorreu sem outros incidentes dignos de registo. Uma vez mais, saliento uma especificidade única, difícil de encontrar noutro género de agremiações, que é o companheirismo inigualável, a cumplicidade e a sensação de pertença a uma 'tribo' que nos diferencia dos demais. Gostamos de andar de mota, gostamos de motas, e, mais não fora por isso, gostamos mais uns dos outros. Que os sortilégios da sorte nos abençoem e nos garantam prazer e boas curvas. E como diria alguém, numa frase gasta pelo uso, cuja origem se perdeu na noite dos tempos... - : 'Andar de mota é uma arte. Cair, faz parte'.

sábado, 16 de abril de 2011

Somewhere Over the Rainbow - Eric Clapton

Dos Homens Feministas

É sem dúvida uma nova óptica para a visão feminista e que agrada de sobremaneira a muitas mulheres, o ainda pouco explorado campo que nasce do entendimento de que o machismo prejudica os homens. Não só as mulheres são moldadas para assumir papéis dentro da cultura machista. Os homens também. Reflectindo sobre a educação machista tradicional, percebe-se que ela busca exercer sobre as meninas uma repressão explícita, externa, procurando podar a sua acção social. Mas dentro do universo da ideologia machista essa repressão é oculta. Permite e incentiva a capacidade da mulher na liderança e competência sobre a esfera doméstica, disfarçada nas pseudovantagens proporcionadas pelo machismo: a protecção da mulher, ser frágil, em troca da sua subserviência (uma espécie de 'feudalismo machista'); a ideia pré-concebida de que é ao homem que cabe o papel principal no sustento do lar e que tem a última palavra em tudo - 'ela manda em casa e eu mando nela'. Com o movimento feminista, a repressão social sobre a mulher passou a ser entendida, inclusive pelos homens, como uma desvantagem social, um preconceito sobre a mulher. Mais tarde, depois de tantas posições extremadas por parte das feministas, serviu de bom argumento na boca dos 'contra-revolucionários' a postura radical de algumas mulheres, pese embora coerente com a necessidade de resposta inicial à repressão histórica da ideologia machista sobre a expressão social da mulher. Porém, a cronicidade desse comportamento agudo de radicalidade, acabou fazendo com que o movimento feminista, cerca de um século depois de iniciado, seja ele mesmo, de certa forma, também um repressor da expressão feminina. 

Hoje em dia muitas mulheres evitam se afirmar feministas, pois facilmente se comprova que a grande maioria das pessoas entende “feminismo” como o “machismo das mulheres”. A importância do homem feminista está, entre outras coisas, em acabar com qualquer tipo de rótulo, trazendo o significado do termo “feminista” de volta para sua origem de “luta contra o machismo”. O homem feminista a que me refiro é aquele que finalmente entendeu que a cultura machista faz-lhe mal, prejudica-o, e é responsável por grande parte das suas dificuldades emocionais e problemas pessoais. E o mesmo se diga do feminismo exacerbado de algumas mulheres, que, num passado recente, tomaram atitudes patéticas como as de queimarem soutiens em público, renegarem o casamento heterossexual, exigirem quotas no Parlamento e em todos os cargos e empresas públicas, com o argumento, hoje perfeitamente desajustado, da necessidade da 'discriminação pela positiva'. 

Nos dias que correm, pelo menos no nosso país, a maioria dos estudantes do ensino superior são mulheres - os homens, culturalmente, são mais imediatistas, querem começar a ganhar dinheiro rapidamente e não têm grande paciência para gastar anos das suas vidas em prol do estudo. O certo é que a maioria dos cargos dirigentes, num futuro não muito longínquo, vai pertencer ao género feminino. À parte a crescente e, infelizmente, comum violência doméstica - um problema muito preocupante e sério, talvez por ser o  superlativo de todos os comportamentos machistas, cujo silenciamento se deve ao pavor gerado por estigmas sociais e medos, hoje pouco sustentáveis -, bem como alguns casos perfeitamente identificados de discriminação laboral, a mulher, na nossa sociedade, é um ser igualitário. Como em tudo, é na mediana, no equilíbrio e na harmonia, que jaz o bom senso, o adequado. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Não sejam os homens machistas, tornem-se homens feministas, nem se envergonhem do vosso 'lado feminino'. Não fiquem as mulheres feministas, radicais, com fervor excessivo, irracional e persistente, com o género invertido, dispostas a perder, em nome daquilo que, por vezes, justamente reivindicam, o que em vós tem mais graça, e é a fonte maior do desejo masculino: a vossa atraente feminidade.