terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sonhos e pesadelos

 
Há os sonhos e os pesadelos, assim como existe o doce e o amargo, o belo e o feio, o bom e o mau, neste mundo de antíteses em que nascemos, vivemos e morremos. Dos sonhos, muitas vezes, a nossa recordação é frágil e quando se trata de recordar como foram, os pormenores insólitos multiplicam-se e deslizam na nossa memória quase sempre na margem da bizarria. Quando os sonhos se transformam em pesadelos, estes por vezes nem têm enredo, nem formas distintas para contar, apenas uma sensação de sufoco, de perigo eminente e inexprimível. Às vezes fica só o medo informe, a sensação de que dormir é mau, que algures na noite nos aguarda um terror qualquer. Dormimos embrulhados num manto, por vezes doce, outras vezes maléfico, e o contínuo dos dias vai tecendo no nosso subconsciente a matéria-prima de que os sonhos e os pesadelos se forram.

Deixa-me ser


Um dia, depois deste agora, entrarás em mim e as gotas que caem de ti beberei. E caminharemos sem avançar por um caminho de doçuras e chegaremos. E haverá infinitos caminhos, luas cheias e infinitas chegadas. Haverá vento e chuva e caminharemos. E haverá um arco-íris duplo e chegaremos infinitas vezes. Haverá sol, flores e doçura... e veremos o demónio solto cavalgando entre as ameias... E fecharemos os olhos, amor, e seremos o princípio. Depois, ar limpo, silêncio, cheiro da terra, lisura, trinar dos pássaros. Depois, amar-te-ei com humidade de terra, força de relâmpago e rutilante ardor. Deixa-me ser o que sei ser.