quinta-feira, 12 de abril de 2012

Praia Fluvial na Região Centro

Praia Fluvial - Castanheira de Pêra - 2010

Logo que a chuva esmoreça, lá para finais do mês de abril, espero voltar aos grandes passeios de mota pelas barragens, serras e praias fluviais da nossa Região Centro. Há um miradouro formidável, mesmo no cimo da Serra da Lousã, que nunca me canso de visitar, tal a vista soberba que de lá se avista.

"Se Deus quizesse que o homem voasse tinha-lhe dado asas" - diziam, no início do século XX, os céticos. Também é possível voar numa mota, que me perdoem os céticos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

São Pedro de Moel - julho de 2011 - Yamaha Neo's 50

São Pedro de Moel - Yamaha Neo's 50 - o meu transporte mais racional

Afinal há "outra" - Yamaha FJR 1300



Figueira da Foz -  abril de 2012
 

Toulouse- Lautrec

As "folies" à entrada do Moulin Rouge
Lautrec sempre foi dos pintores que mais me fascinou. Talvez que a sua vida devassa e curta, vivida durante a época áurea do decadentismo, na cidade europeia império do vício, tivesse afilado o meu imaginário, mas não recordo nenhum artista que tão intensamente tivesse retratado o seu próprio quotidiano como ele. Ainda hoje são famosos os cartazes anunciadores de espetáculos, por si ilustrados, e que sempre constituíram a sua fonte primária de sustento.

Toulouse-Lautrec, nasceu em 1864 e faleceu em 1901, pouco depois da viragem do século. Foi ilustrador, cartonista, retratista, pintor e a sua imersão absoluta na sórdida e teatral Paris do final do século XIX,  foi sempre a musa inspiradora da sua obra. Lautrec vivia em Montmartre e dedicava parte do seu tempo a retratar a vida no Moulin Rouge e noutros cabarets parisienses, bem como dos bordéis imundos, onde de resto era presença assídua. Alegadamente, terá vivido longos períodos em lupanares, como amante e confidente de prostitutas, onde contraiu sífilis. Alcoólico profundo, acabou por morrer cedo, ainda antes de ter completado 37 anos de idade, face ao acumulado dos problemas de saúde de que padecia. Foi um "filho de boas famílias", míope, com o pé boto e estatura de pigmeu, que se auto excluiu de quaisquer  mundos que não fossem girândolas cor-de-folia. Cumpriu o fatalismo de outros tantos seres geniais: viver a vida como uma estrela cadente e esvair-se cedo.

O Guitarrista

"O Guitarrista" é um dos meus quadros prediletos de Pablo Picasso

Nascido na cidade de Málaga, em 25 de outubro de 1881, Pablo Ruiz Picasso, pintor espanhol naturalizado francês, tornou-se um dos mestres das Artes Plásticas do século XX, pois era ainda escultor, artista gráfico e ceramista. O seu talento foi de certa forma herdado de seu pai, professor de desenho e eventualmente pintor, e não tardou a ser reconhecido logo no início, quando o artista tinha apenas quinze anos e, surpreendentemente, o seu próprio ateliê. É complicadissímo eleger o nosso artista preferido, já que são tantos os que gostamos, mas Picasso é certamente um da minha eleição. Gosto sobretudo da "fase azul", em que a melancolia se apossou da sua verve e possibilitou-lhe pintar as obras mais belas que integram o seu vasto legado. Comecei a reler a sua biografia, inserta num daqueles livrinhos de bolso que se vendem a 1,5 reais na cidade do Rio de Janeiro, mas ainda não terminei. Do escopo da sua vida, foi esta pouca informação que retive, mas já me escapam os pormenores: a essência da sua formação artistíca - a informação em absoluto necessária para perceber a matéria de que se forram os génios.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A nossa pele



Há pessoas que estão sempre a afiar as garras e que julgam que a melhor defesa é (sempre) o ataque. Bater antes de ser batido. Marcar desde logo território e partir para o combate numa posição de vantagem. Deixar o adversário knock out sem que ele tenha, sequer, a possibilidade de esboçar um gesto de defesa. É a politíca da "terra queimada", no que às relações pessoais respeita. As guerras sempre começaram por ser pequenas escaramuças que degeneraram numa escalada sem fim à vista. São a representação superlativada dos conflitos interpessoais. Neste mundo egótico em que a regra maior é sobreviver, ter outro comportamento pode, muitas vezes, levar-nos à auto-aniquilação, ou à morte consentida. Ser bom, ter um comportamento altruista, implica aceitar à partida a ideia de perda, de sofrimento e possuir uma capacidade infinita para amortizar injustiças. É dar sem esperar retorno. É aceitar o sacrificío. É conseguir ser o melhor Ser do mundo e arvorar-se da qualidade maior que é a bondade. É mais fácil ser culto, interessante, esteta, filósofo, ensaista, poeta, diseur, whatever, do que ser genuinamente bom. 

O Beijo


Gustav Klimt  -  "O Beijo"


Tiras de um diário


Voltou a chuva e o frio. Mas nem sempre assim é por estas alturas do ano. Hoje o dia acordou baço, monocromático, nevoento, sem graça e a chuva caía copiosamente nas calçadas. As aves que moram no bosque traseiro da minha casa devem estar escondidas, a tremelicar de frio, nos ramos mais altos da copa das árvores, pois não consegui escutar o seu useiro trinado, logo pela manhã. Coitadinhas das aves. Muitas vezes me interrogo: onde será que dormem os pássaros que não migram para paragens mais quentes durante as longas e gélidas noites de inverno? E como sobrevivem a temperaturas tão baixas? Ignorante confesso em assuntos de ornitologia, tudo o que respeita a estes seres pequeninos, que já me habituaram à sua presença durante grande parte do ano, é para mim um mistério insondável. Mas, pouco a pouco, sei, o sol irá reaparecer. A princípio, timorato, incapaz de romper por completo as nuvens espessas, mas depois em todo o seu esplendor. Tudo é ciclíco: a vida, a morte e de novo a vida; a alegria, a tristeza e de novo a alegria. A seguir à tempestade vem a bonança, mas esquecem-se sempre de dizer que a tempestade, cedo ou tarde, tornará. Há quem seja tragado pela mudança das estações. É a melancolia sazonal, o mal de viver partilhado por quem retira da repetição dos dias o conforto possível. Mas, quando a mudança das estações traz o contrário do que deveria? Quando, na passagem do verão para o outono, não vem frio, cinzento, a provisória morte da Natureza? Quando, chegado outubro, ainda é verão? E se a primavera traz chuva, geada, o regresso às roupas quentes arrecadadas pelo aquecimento global no baú do inverno? Poderá a melancolia trocar as voltas às estações? Precisará essa sombra cinza e taciturna que as estações se confirmem, mudando? Estará sempre vigiando, o determinado passo em falso do tempo?

La Tailleuse de Soupe

"La Tailleuse de Soupe" - 1933

François Emile Barraud

Bela e Sebastião - Por Ana Paula Fitas

"Bela e Sebastião", da autoria de Cécile Aubry, é uma extraordinária peça de literatura cujo profundissimo conteúdo cívico e pedagógico, merece a sua consideração como obra de excelência da literatura infanto-juvenil. Testemunho disso mesmo é o facto de, nos anos 60, ter sido produzida e realizada a série francesa com o mesmo nome que, no final dessa década, passou, como em muitos países europeus, num inesquecível registo a preto e branco, na RTP. Quanto à 1ª tradução do livro em língua portuguesa surgiu pela mão da editora Aster, em 1968, com uma capa que reproduzia a imagem do menino cigano, protagonista de uma história que, mais tarde, originou uma série de desenhos animados, cuja adaptação, infelizmente!, perdeu o essencial da narrativa... Das muitas histórias que li, vi e conheço penso que não erro ao dizer que nenhuma alcança, nem de perto, nem de longe, o poder e a qualidade de "Bela e Sebastião" na edição e produção originais.... hoje, Dia Internacional dos Ciganos, fica o registo da minha homenagem à dignidade dos seus Povos, através deste imenso e terno abraço que daqui segue para a Ana, a sua Família e para todas as crianças ciganas que tive a honra de conhecer, Homens e Mulheres de 1ª Água, de que destaco, além da Ana, a Elisabete e o Joaquim:

Bem-hajam!*

Ana Paula Fitas - Blogue

* Este excelente texto, escrito pela Ana Paula Fitas no seu blogue, fez-me relembrar esta história, que, entre tantas, pertence ao imaginário da minha infância.