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| Eu e o Luís Emanuel no Teatro José Lúcio da Silva - foto publicada no jornal "Região de Leiria" |
sexta-feira, 4 de maio de 2012
65 anos do Ateneu de Leiria
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Música
domingo, 29 de abril de 2012
Old Beach
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| Fonte: Internet - Praia Velha - São Pedro de Moel |
Há um café-restaurante em São Pedro de Moel, aberto durante as vinte e quatro horas do dia, com vista para o areal da praia e o mar, chamado "Old Beach", com ligação wireless à Internet, música ao vivo às terças-feiras e aos domingos à noite e que serve refeições completas a qualquer hora do dia ou da noite, tudo ao som de bandas ou boa música ambiente. Não é minha intenção publicitar comercialmente o espaço - nada lucraria com o facto -, até porque o relativo isolamento do lugar, só acessível por transporte particular, garante um certo recato. É, aliás, deste estabelecimento que estou a escrevinhar estas linhas, ao som de uma música instrumental, de quem não identifico a autoria, mas que mistura agradavelmente os timbres do jazz e da soul music. Na mesa ao lado da minha, um francês e duas francesas, provavelmente turistas acidentais, estão para almoçar. Riem desmesuradamente e falam pelos cotovelos sobre os mais diversos temas, na convicção absoluta de que ninguém, neste pequenote país, estivado por gente inculta, os entende. Comem ameijoas enquanto lambem com consistência os dedos e aposto que nem sonham que, neste preciso instante, entraram como por magia no fiar das palavras que vão correndo ao longo deste texto. O sol, embora timidamente, rompeu as nuvens e agora já apetece dar um passeio pelo areal, sorvendo a brisa que vem do lado do mar. As outras palavras ficam para próximas andanças, já que a escrita, tal como a prática da guitarra, também carece de exercícios que, muitas vezes, não têm necessariamente a ver com a harmonia dos sons. Escrever "just because", de quando em quando, também é bom.
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Crónica
Dias Lourenço - a fuga do Forte de Peniche
Hoje, o passeio de mota, apesar da chuva intensa que começou a cair logo pela manhã, foi até Peniche. Depois do almoço, seguiu-se uma visita à antiga prisão da Pide, no Forte de Peniche, para revisitar o Museu da Resistência e recordar as histórias dos quantos por lá passaram, presos pelo delito da opinião, por se terem recusado a aceitar a ditadura, dispostos a sacrificar as suas vidas pelo ideal de uma sociedade mais justa.
O vídeo em que Dias Lourenço, recentemente falecido com 95 anos de idade, conta a história da sua espetacular fuga do "segredo", em 1954, conseguindo saltar as muralhas do Forte e nadar até terra, é já um símbolo na História da Resistência anti-fascista.
Portugal precisa de novos heróis, de uma nata de pessoas capazes de, com o seu sacrifício, alterar de novo os ditames deste inusitado regresso ao passado, a que paulatinamente vamos assistindo.
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Vídeos
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Miguel Portas - RIP
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| Miguel de Sacadura Cabral Portas morreu ontem cerca das 18h00, no Hospital ZNA Middelheim, na cidade belga de Antuérpia |
Sempre admirei o Miguel e há muito tempo que o sabia doente. No momento, não tenho mais palavras para escrever e resta-me um nó na garganta e uma sentida amargura. Que a terra te seja leve, Miguel e... até um dia.
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Homenagem
A dádiva do perdão
A dádiva que anula o mal traduz-se concretamente no perdão, na capacidade de perdoar a alguém, desfazer as mágoas que nos roem cá por dentro e libertar o espírito de ressentimentos. Lembra-me sempre a oração: «Perdoa-nos, Pai, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Esta frase parece mentirosa vinda de nós humanos, pecaminosos: perdoamos como se, nesse instante de oração, o perdão acontecesse no nosso coração. O perdão é dos gestos mais nobres que conheço, embora nem tudo possa ser perdoado. É a reação mais elevada da parte de alguém que foi vítima de um ato mau e opera, de algum modo, a anulação desse mal. Por certo que a ação é dupla: perdoar é pedir perdão. Porém, o que é prioritário é «perdoar», porque não é concebível que eu possa pedir perdão quando no meu íntimo subsiste a recusa de perdoar. Se me recuso a perdoar, continuo a viver no rancor, no ódio e, na minha relação com os outros, considero-os meus devedores. Para eles eu sou alguém que recusa esse dom. Quando me recuso perdoar aos outros, que tipo de pessoa sou? Sou alguém que toma o outro como a causa do mal que me vitimou. Por vezes esse mal é uma realidade. Mas quando me recuso a admitir uma atitude de perdão, torno-me cúmplice desse mal, aumento-o. O perdão desarma o mal, aniquila-o, a começar por aquele que é vítima dele. Por vezes o mal é mais obscuro. Sofro, por exemplo, com uma ação, uma palavra, com a qual o outro exprimiu a sua intenção de me prejudicar. Mas o perdão, como virtude maior, situa-se ao lado do amor. É uma palavra cheia de sentido: designa o que há de mais vital em todo o verdadeiro amor. Primeiro vem o amor. Depois o perdão. Depois as palavras. Depois o perdão. Depois o intervalo. Depois de novo o perdão. Diz-se que ninguém escapa à tristeza. E à felicidade? Escapamos? A nossa memória não consegue secar como as folhas deste outono que já passou e a chuva torna a saudade mais nítida. Lutamos com o silêncio e tentamos acordar da força dele. Inutilmente. Eu já quase perdoei tudo a todos: a quem me fez mal, a quem não me quis bem, a quem me prejudicou de alguma forma. Ao menos, vivo com o coração limpo de rancores, vazio de ódios, néscio dessas coisas. Só não me consigo libertar da indiferença. E essa é, porventura, a condição maior da minha felicidade.
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Pensamentos
terça-feira, 24 de abril de 2012
E que tal um novo 25 de Abril?
A Associação 25 de Abril, Mário Soares, Manuel Alegre e, de uma forma geral, os participantes diretos na Revolução dos Cravos, numa atitude inédita, decidiram este ano não participar nas comemorações oficiais da efeméride. Sem querer tecer considerações de ordem partidária, mas necessariamente de afirmação política, concordo em absoluto com a sua posição. Afinal, os valores que nortearam a Revolução de Abril estão hoje em dia completamente desvirtuados. Duvido, aliás, que tenha merecido a pena que tantos homens e mulheres tivessem dado o melhor de si a causas tão nobres. Gente houve que abdicou da sua felicidade pessoal em prol do bem comum, de uma sociedade mais justa e igualitária, do fim de uma guerra colonial - que só aproveitava a uns poucos e onde grande parte da nossa juventude ficou mutilada, física e psicologicamente, ou perdeu a vida -, dos valores da liberdade de expressão e criação. Foram muitos os homens e mulheres que estiveram presos, foram torturados, estigmatizados, viram os seus bens confiscados, perderam a família, o emprego, a carreira, o nome, a dignidade, a saúde, e, nalguns casos, a vida, tudo por nós. O 25 de Abril não valeu a pena - um "sol de pouca dura". Foi uma brisa passageira na modorra das desigualdades gritantes que, em poucos anos, face aos sucessivos governos que Portugal tem conhecido, à ditadura dos mercados, ao modelo societário em que cada vez mais nos afundamos e do qual aparentemente não consigamos sair, tem paulatinamente mandado às urtigas as conquistas dos trabalhadores e as liberdades com tanto sacrifício conquistadas. Cada vez que me falam em comemorar o 25 de Abril, pergunto-me: qual 25 de Abril? O que há para comemorar? Passados trinta e oito anos, que réstias sobraram das conquistas sociais? Onde está a democracia e a sociedade mais justa? O que faz todo o sentido é, isso sim, falar-se num novo 25 de Abril, mas desta vez numa versão menos poética, menos light, capaz de alterar com caráter de permanência o estado das coisas. Quem estudou História sabe bem que os podres de um tecido social, a injustiça crónica, o poderio exploratório dos mais fortes sobre os mais fracos, só se consegue extirpar através de uma revolução. O seu surgimento numa versão mais musculada, é coisa que já não será do meu tempo, mas é impossível conceber que a nossa paciência bovina dure eternamente. Um povo não é feito de pau.
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Pensamentos
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Dia do Livro
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Livros
domingo, 22 de abril de 2012
Comboiando p’la Europa
Nos anos oitenta do século passado, as minhas férias de Verão ficaram indelevelmente associadas ao comboio. Foi, para mim e para muitos, a gloriosa época dos inter-rails; das viagens no Sud-Express através da interminável Espanha, rumo a Paris-Austerlitz que, à época, funcionava como uma espécie de interface no mundo dos mochileiros. No topo do País Basco, na fronteira de Irun-Hendaye, dava-se a inevitável troca de comboio, tudo por causa da bitola dos carris franceses que era diferente da que existia na Península Ibérica.
Nós, os mochileiros, com o animo de quem se dispôs a transportar as cangas às costas durante um mês, alguns de viola amolgada na mão, despedíamo-nos do comboio provinciano cor de alumínio, que nos trazia desde Portugal, misturávamo-nos com as gentes emigrantes e corríamos juntos para as composições gaulesas azuis e brancas, muito mais modernas e atraentes. Era assaz curiosa aquela visão matinal tardia: magotes de guedelhudos, trajados de gangas, pulseiras e colares, mochilas e outros penduricalhos, misturando-se com gente de trabalho, metida em fatiotas simples, acompanhada do legendário garrafão, agarrando embrulhos e malões gigantes atados com cordas, todos saltitando numa ampla sintonia de agilidade por entre os carris de ferro. Sentíamo-nos deportados por livre vontade e era aí, nesse preciso instante, que a grande aventura começava verdadeiramente a ganhar corpo. França era já a sensação de «estrangeiro» que a Espanha ainda não transmitira.
Ainda hoje relembro, com bastante saudade, a inolvidável experiência que é dormir sentado com a cabeça apoiada no ombro de alguém, ou numa almofada de improviso, ou mesmo na prateleira onde se coloca habitualmente a bagagem, rezando para que não entrassem passageiros a meio da noite, a fim de se poder dispor de um banco inteiro para esticar o esqueleto; o barulho característico e ritmado do ferro passando nas junções dos carris; os solavancos das travagens; os apitos lúgubres dos chefes-de-estação, na calada da noite, algures em estações perdidas nos confins dos Alpes; as luzes no interior das cabines da composição, que esmaecem a partir de uma certa hora; os revisores dos bilhetes e os guardas das fronteiras, que não olham a horas para nos acordarem, a princípio com delicadeza, de seguida, se preciso, com alguma energia e os odores humanos que insidiosamente se vão instalando, começando a fazer parte dos nossos quotidianos, naquela que é, doravante, durante um mês, a nossa primeira casa: o comboio.
[Depois de fazer um inter-rail fica-se muito melhor preparado para o seguinte. Apanhar o comboio da noite, mesmo viajando em segunda classe, pode significar duas coisas importantes: por um lado, a poupança em dinheiro de uma dormida em parque de campismo ou pensão, ainda que modesta; por outro, a garantia, quase certa, de que durante grande parte da noite se pode dispor de um banco inteiro para esticar as pernas e, naturalmente, dormir.]
De manhã, lavamo-nos nos compartimentos minúsculos do comboio enquanto sentimos o nosso destino quase à vista. Tudo com uma alegria esfuziante, estampada num rosto vincado de olheiras e cansaços, que não soçobra perante nada, tal o prazer das emoções que nos aguardam e a sede de aventura. Depois de alguns dias na cidade-luz, cada qual tomava rumos diferentes, consoante a ideia que levasse em mente. Umas vezes fui para norte, na direcção da Holanda, da Alemanha e da Escandinávia; noutras ocasiões, fui para o centro da Europa, visitando a Áustria e os países anexos, mas foram as viagens para sul, mormente as visitas à Itália, à ex-Jugoslávia, à Grécia e à Turquia, que mais saudades me deixaram.
Com pouquíssimo dinheiro no bolso, duas ou três mudas de roupa, comida para os primeiros dias, uma tenda o mais leve possível, um saco-cama e, sobretudo, uma enorme motivação e espírito de aventura, passavam-se umas férias inesquecíveis e conhecia-se gente incrível. Cada dia representava uma nova aventura e as oportunidades para pôr em prática os conhecimentos de línguas estrangeiras eram imensas. Tudo o que aprendêramos era pouco, mas chegava, já que os jovens têm uma linguagem de cariz universal.
Faz muito tempo que não utilizo esse meio de transporte que ficou, deste modo tão terno, ligado permanentemente à minha juventude. Mas cada vez que me sento numa carruagem, num certo momento do percurso, encosto a cabeça ao vidro e olho-me nele de viés, como se fora um espelho. Nessa altura, fecho os olhos e tento transportar-me mais de trinta anos para trás, no alcance exato do pretérito desta saudade. Então, consigo vislumbrar através do vidro polido, num ligeiro assomo, um jovem magro, de cabelo farto, olhos claros e luminosos, cofiando uma barba de poucos pergaminhos, metido a fundo no caminho de um sonho. Nessa altura sorrio. E é sempre assim.
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Crónica
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Carlos Gardel - Por una Cabeza
Carlos Gardel, um dos mais famosos
cantores do tango argentino, celebrado em toda a América Latina pela
divulgação do género musical, é, curiosamente, apontado com uma das
influências primordiais de Amália Rodrigues. “A Morte de Carlos
Gardel”, o livro de António Lobo Antunes, por mim adquirido, depois de
ter estado em não sei quantas mãos, mas em óptimo estado de ser lido,
na feira de velharias e antiguidades que mensalmente acontece junto ao
Mosteiro de Alcobaça, é o terceiro livro de uma trilogia do escritor. O
romance é uma espécie de buraco negro onde apenas se encontra doença,
morte, ódio, cinismo e amargura. A ação localiza-se num bairro de
Lisboa do passado século XX e o tango ocupa o lugar central na vida de
várias personagens do livro. O protagonista, Álvaro, deprimido porque a
sua mulher o deixou, torna-se incapaz de amar e vive uma vida
amargurada, ganhando um rosto sem feições. A sua única razão de viver
passa a ser o tango, em especial o tango interpretado por Gardel “Por
una Cabeza”. É, justamente, o tango que mais se popularizou entre nós e
não terá sido por mero acaso que o trágico percurso de vida do cantor -
que culminou num estúpido acidente de aviação em Medellin, na
Colômbia, corria o ano de 1935 – serviu de fonte de inspiração literária
para um dos nossos mais ecoados escritores. A Argentina, ou mais
cirurgicamente, Buenos Aires, ainda transpira e ecoa a sensualidade da
música de Carlos Gardel. Dentro de pouquíssimos dias, vou ao encontro
dessas memórias vivas, onde espero encontrar os antónimos da tristeza e
do vazio. Sei que vou apenas pelo sentimentalismo.
(Leiria - 2006)
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Música
sábado, 14 de abril de 2012
Ateneu 65 anos
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Informação
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