| A Ria de Aveiro ao anoitecer - janeiro de 2011 |
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Ria de Aveiro
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A Mãe
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Música & Poesia
27 de Outubro - SÁBADO - 18h00
*Música e poesia
Ensemble de música e declamação de poemas que conta com a participação dos professores e alunos de guitarra do Ateneu de Leiria.
Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Leiria
Público-alvo: público em geral
* Entre várias pessoas, serei um dos músicos presentes.
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Música e Poesia
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
The fabulous four
À época, um agregado familiar composto por um casal com quatro filhos, no seio da classe média-alta, com fortes práticas e convicções católicas, era considerado normalíssimo. As famílias numerosas começavam a ser consideradas como tal nos casais com seis e mais filhos. As polémicas que hoje se geram com as chamadas "famílias numerosas", que, na sua ideação obsessivo-compulsiva de fazer meninos, invocando o "feito patriótico" do repovoamento do país, para obterem benesses fiscais, são uma das muitas hipocrisias que medram no tecido social. Todos sabemos que no Portugal de hoje, famílias numerosas só existem no seio de dois tipos sociais: aqueles que, por ignorância, pobreza de espírito, indiferença, egoísmo, obtenção de mais-valias com o rendimento social de inserção, entre outras motivações menos nobres, se reproduzem como coelhos; e, naturalmente, nas famílias ricas, que podem pagar, por cada rebento que geram, propinas de mais de 1500 € em colégios particulares, na sua maioria de índole religiosa, que são sempre os mais bem abençoados e também os mais caros, estadias em campos de férias na Grã-Bretanha, ou na Suíça, reservados às elites sociais, estudos superiores em universidades estrangeiras bem conceituadas, entre outras mordomias a que só os riquinhos têm acesso. Nascer rico ou nascer pobre, é um desígnio que nos calha em sorte, um fruto aleatório, semelhante ao resultado numérico dos dados que se lançam numa mesa de pano verde. Ninguém escolheu nascer, muito menos com um certa e determinada condição económico-social. A responsabilidade é sempre daqueles que, por uma razão ou outra, decidem trazer muitos filhos ao mundo. Não são poucos os que pensam que é à sociedade que se deve imputar o custo com a educação e a alimentação dos seus filhos e que os impostos, cobrados à população em geral, inclusive aos que decidiram não ter filhos, seja por não poderem, ou por não quererem, devem servir de almofada para as suas, quantas vezes, imponderadas decisões. Mas o que mais custa é ver famílias milionárias, com rendimentos mensais de milhões, apresentarem-se na comunicação social, no papel de vitimas de uma pretensa discriminação a que se dizem sujeitas, desgostosas com a ingratidão com que são tratadas, apesar das mais-valias humanas que pugnam trazer ao mundo, tudo a bem da nação, constituindo associações para a exigência de benesses fiscais. E tudo isto por causa das suas pulsões, aparentadas com a apetência pela cunicultura, das quais são os únicos responsáveis. Se querem ter muitos filhos, que os sustentem e não me peçam a mim, pagador de impostos, que contribua para educar a sua prole. O que mais não faltam, neste mundo cruel e injusto, é crianças a morrer de fome. Adoptem-nos, minorem-lhes a dor, eduquem-nos, seus hipócritas! Não me façam é a mim pagar pelas vossas histéricas decisões! Benefícios fiscais para famílias numerosas? Homessa! Jamais! Se quiserem, juntem-se à Associação Portuguesa de Cunicultura e ... lutem como coelhos que são!
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| Almada - final dos anos 60 |
À época, um agregado familiar composto por um casal com quatro filhos, no seio da classe média-alta, com fortes práticas e convicções católicas, era considerado normalíssimo. As famílias numerosas começavam a ser consideradas como tal nos casais com seis e mais filhos. As polémicas que hoje se geram com as chamadas "famílias numerosas", que, na sua ideação obsessivo-compulsiva de fazer meninos, invocando o "feito patriótico" do repovoamento do país, para obterem benesses fiscais, são uma das muitas hipocrisias que medram no tecido social. Todos sabemos que no Portugal de hoje, famílias numerosas só existem no seio de dois tipos sociais: aqueles que, por ignorância, pobreza de espírito, indiferença, egoísmo, obtenção de mais-valias com o rendimento social de inserção, entre outras motivações menos nobres, se reproduzem como coelhos; e, naturalmente, nas famílias ricas, que podem pagar, por cada rebento que geram, propinas de mais de 1500 € em colégios particulares, na sua maioria de índole religiosa, que são sempre os mais bem abençoados e também os mais caros, estadias em campos de férias na Grã-Bretanha, ou na Suíça, reservados às elites sociais, estudos superiores em universidades estrangeiras bem conceituadas, entre outras mordomias a que só os riquinhos têm acesso. Nascer rico ou nascer pobre, é um desígnio que nos calha em sorte, um fruto aleatório, semelhante ao resultado numérico dos dados que se lançam numa mesa de pano verde. Ninguém escolheu nascer, muito menos com um certa e determinada condição económico-social. A responsabilidade é sempre daqueles que, por uma razão ou outra, decidem trazer muitos filhos ao mundo. Não são poucos os que pensam que é à sociedade que se deve imputar o custo com a educação e a alimentação dos seus filhos e que os impostos, cobrados à população em geral, inclusive aos que decidiram não ter filhos, seja por não poderem, ou por não quererem, devem servir de almofada para as suas, quantas vezes, imponderadas decisões. Mas o que mais custa é ver famílias milionárias, com rendimentos mensais de milhões, apresentarem-se na comunicação social, no papel de vitimas de uma pretensa discriminação a que se dizem sujeitas, desgostosas com a ingratidão com que são tratadas, apesar das mais-valias humanas que pugnam trazer ao mundo, tudo a bem da nação, constituindo associações para a exigência de benesses fiscais. E tudo isto por causa das suas pulsões, aparentadas com a apetência pela cunicultura, das quais são os únicos responsáveis. Se querem ter muitos filhos, que os sustentem e não me peçam a mim, pagador de impostos, que contribua para educar a sua prole. O que mais não faltam, neste mundo cruel e injusto, é crianças a morrer de fome. Adoptem-nos, minorem-lhes a dor, eduquem-nos, seus hipócritas! Não me façam é a mim pagar pelas vossas histéricas decisões! Benefícios fiscais para famílias numerosas? Homessa! Jamais! Se quiserem, juntem-se à Associação Portuguesa de Cunicultura e ... lutem como coelhos que são!
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Fragmentos das memórias de um puto xarila
Às vezes penso em Almada, a cidade da minha infância e juventude, a urbe onde saboreei os primeiros gostos e desgostos da vida, o Frei Luís de Sousa, o afamado externato onde frequentei o infantário e a primeira classe; e, mais tarde, o ano propedêutico, logo substituído pelo 12º ano, numa das maiores reformas do ensino do meu tempo. Se fechar os olhos e me concentrar, consigo razoavelmente viajar no tempo e vislumbrar um puto vestido com uma bata azul, com um monograma com as letras RJ bordadas no bolso direito, um remoinho teimoso aprestado no cabelo, magrinho, baixote, enfezado, trajando calções justos e com uns caricatos sapatos de atacadores vermelhos nos pés. Esse puto xarila sou eu. Sempre a piscar os olhos, um tique que ainda hoje me habita, e a pestanejar por causa da luz insuportável do sol. Com uma mala de cabedal afivelada às costas, parece que o estou a ver a caminho da escola, acompanhado pelo batuque ritmado produzido pela caixa de madeira, onde guardava os lápis, as canetas, o compasso e as réguas, a bater contra o interior da mala. Usualmente, acertava o passo por essa batida familiar. Vivia-se o glorioso tempo das borrachas de cheiro que, além de servirem para apagar os erros, também espalhavam odores e sabiam a frutos diversos, que se cheiravam e, não raro, também se degustavam.. O tempo das batas obrigatórias e das fisgas fabricadas com elástico de avião, das criadas arregimentadas na província, imaculadamente fardadas, que iam levar os meninos ricos à escola; das crianças que não usavam sapatos, mas possuíam calosidades tão espessas, que faziam inveja aos cascos de muitos equídeos. Uma época em que os ciganos roubavam o lanche aos meninos ricos, os berlindes multicolores, as moedas que lhes conseguissem sacar dos bolsos e os piões com que se faziam habilidades impressionantes - tornei-me um especialista na arte do pião, mais do que no futebol, desporto que nunca dominei. Era essencialmente o protótipo do puto solitário. Fechado no meu pequeno mundo, diferente do não voluntarismo de um autista, criava conscientemente espaços interditos aos outros. Muito por culpa da Enid Blyton, montava casas no cimo da copa das árvores, levava para lá livros, bolachas, uma almofada, lápis e papel para escrever, tudo acessórios capazes de me entreter durante uma tarde inteira. Era o puto xarila voyeur que gostava de observar do alto dos ramos, na segurança da folhagem espessa, tudo o que se passava lá em baixo, com a granitíca certeza de nunca ser visto. E a sensação de poder que isso dava! O puto xarila que se deleitava a desviar carreiros de formigas com um pauzinho e que observava, com um espanto continuado, a forma como elas conseguiam, em perfeita união de esforços e coordenação, transportar um gafanhoto morto, com várias dezenas de vezes o seu tamanho e peso. Também me lembro de seguir pessoas, escolhidas ao acaso, sem critério, numa qualquer rua da cidade, e anotar a sua descrição física, onde moravam, e, quantas vezes, ter de fugir a sete pés da sua fúria, sempre que era descoberto a armar-me em sombra; furtar smiles e rebuçados no Pão de Açúcar de Almada, até um dia ser apanhado em flagrante e passar pela vergonha de ser resgatado pelo pai, com um puxão de orelhas e uma séria advertência - o pai, que até era amigo pessoal do chefe da polícia!; levar um ou dois despertadores para as sessões de cinema da meia-noite, na saudosa Incrível Almadense, e, a meio da cena mais intensa - geralmente um daqueles filmes de terror série B, mais que rodados, cheios de estalinhos, tipo batata-frita, e cortes - pôr os despertadores a tocar em simultâneo, provocando o quase desmaio de algumas espetadoras e o riso inevitável dos restantes.
Não têm fim as memórias do puto xarila e elas surgem às camadas, umas vezes em catadupa, outras por efeito de associações fruto do momento. Acabei de contar apenas aquelas que hoje me vieram no imediato à mente, numa espécie de brainstorming benigno, sem peias ou crivo, mas muitas outras, se não a maior parte, estão a marinar na minha mente, entorpecidas, até um dia...Não é verdade, puto xarila?
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Crónica
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Todos temos os nossos problemas...
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Cómico
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Obrigado, mas não é preciso
Hoje de manha quando cheguei à rua, a opacidade da manhã envolveu-me com aquela luz especial, a luz de outono que adoça os contornos e envolve a paisagem em mistério. O céu plúmbeo, ameaçando chuva, e a chilreada inusitada dos passarinhos que pernoitam na copa das árvores, foram os primeiros registos do dia que acabava de começar. No passeio fronteiro ao prédio onde habito, os carros, com os vidros embaciados do orvalho da noite, engalanavam-se de folhas escarlates e amarelas, mas, à medida que a luz se descobria, a quietude começava a soçobrar. Todos o dias, depois de tomar café no sítio do costume, conduzo por uma espécie de avenida, uma ladeira sem bermas, com pouco mais de mil metros, bastante íngreme por sinal, que rapidamente me leva ao centro da cidade; e, não raro, cruzo-me com várias mães que levam os filhos pela mão para a escola. As bermas, como referi, são praticamente inexistentes e os carros, regra geral, transitam a velocidades pouco recomendáveis. No regresso a casa, desta vez a subir, deparo-me com um cenário idêntico: pessoas que, ou por não terem transporte próprio, ou dinheiro para o transporte público, dirigem-se a pé para casa. O caminho é penoso, uma subida bastante inclinada, especialmente para quem já vem cansado de uma jornada de trabalho extenuante, quantas vezes com crianças pela mão. É comum cruzar-me com velhinhos que fazem diariamente o mesmo trajeto e, por incrível que pareça, até já me deparei com pessoas com deficiências físicas. Este cenário não é uma visão inerente à meia estação que nos bateu de mansinho à porta, mas antes, por infelicidade, uma realidade que, de tão corriqueira, já não toca o coração de pedra dos automobilistas que seguem afanosamente no quentinho das suas casinhas de quatro rodas, embalados pelo som do rádio sintonizado na estação preferida. Não sou melhor do que ninguém: sou um ser igualmente egoísta, que pensa primeiro em si e, depois, remotamente nos outros. Enfim, sou feito da mesma massa com que se fabricam os seres imperfeitos. Isto não significa que não tenha coração, que a consciência não me roa, que não questione o direito sublime de viajar no conforto do meu popó, enquanto os menos validos seguem com sacrifício a pé, ao frio, à chuva e à mercê de um condutor menos lesto que os possa passar a ferro. O que fiz para remediar isto? Para aplacar a minha má consciência? Ofereci boleia, por mais de uma vez, a duas senhoras que subiam com crianças pela mão e também a uma velhinha e, sem exceção, todas recusaram a minha oferenda. Não apresentaram justificação para a negação. Limitaram-se a sorrir e a dizer: "obrigado, mas não é preciso". Não as censuro. A misericórdia pelos outros, por vezes, humilha, ofende, confronta-nos com a nossa própria infelicidade; e os tempos são complicados, a criminalidade lateja em cada esquina. Afinal, de boas intenções está o inferno cheio. E quem não lhes diz a eles, transeuntes incautos, que eu não sou o diabo encarnado pessoa?
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terça-feira, 10 de julho de 2012
O verdadeiro espírito motard
Na medida em que o mais substancial que tenho feito nos últimos tempos tem sido "andar de mota", publico aqui, com solenidade, pompa e circunstância, este pequeno vídeo que ilustra o verdadeiro espiríto motard. Aquilo que nós somos, a solidariedade e a sensação de pertença a uma tribo única que nos caracteriza, é magistralmente transmitida pelas imagens que se seguem.
"Andar de mota é uma arte e cair...faz parte" (vox populis).
Boas curvas!
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quarta-feira, 6 de junho de 2012
Eu gosto é do verão
O verão está à porta. E escrevo o vocábulo propositadamente em letras minúsculas, independentemente de ter a certeza de que o mesmo, segundo o novo acordo ortográfico, perdeu a dignidade maiúscula dos substantivos pomposos. Mas, confiando no Google, o Eu Sei Tudo do século XXI, presumo que assim seja. Em todo o caso, este sol-de-inverno que nos visita, não tem a substância que dele se esperava, nem merece um tratamento díspar em relação aos vocábulos mais ordinários da nossa tão maltratada língua pátria. É o vestíbulo de um verão polissémico, uma estação que ainda não se vê, aparentado com formas verbais que anunciam futuros, a vã promessa de que todos o verão. O verão?
Sinais de que o estio paulatinamente se aproxima, outro vocábulo sem dignidade maiúscula, é o surgimento nas passadeiras do ginásio que frequento, de bundas celulóticas que, a escassos meses de se exporem no areal da praia, já se agitam num frenesim infinito, na esperança de verem esmagadas impúdicas gorduras.
São tentativas frustres, pois a moldagem do corpo, a perda de gordura e a sua transformação em músculo e massa corporal, exige trabalho, persistência, continuação não meramente sazonal.
Mas, mais do que o incómodo da visão de tais impudências - as nádegas exageradamente transbordando gordura - lamento a ocupação a tempo inteiro das máquinas demolidoras de calorias que, chegando esta altura, estão quase sempre indisponíveis, tomadas que estão pelas moçoilas das bundas abundantes.
E é isto que, entre outras coisas, prenuncia o verão. O meu verão. O nosso verão. O verão de todos nós. Verão, ou não...?
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Mini Crónica
domingo, 3 de junho de 2012
Assim de repente
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"O segredo do demagogo é fingir ser tão estúpido quanto sua plateia, para que ela pense ser tão inteligente quanto ele."
Karl Kraus
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Assim de repente e ainda antes do jantar, verto algumas palavras para dizer que me assusta verdadeiramente a possibilidade, que infelizmente não é uma fantasia, nem um romanceado tardio, de caminharmos a largos passos para a abolição da graça e da simplicidade, das manufaturas, de todas as formas de arte, ou do simples prazer tátil de segurar um livro nas mãos e desfolhá-lo, estendidos no meio da erva alta, ao cair de um final de tarde, ou simplesmente estendidos na cama. Hoje assiste-se ao reino da maquinação, da informatização, da formatação e ao fim das grandes narrativas sociais. A maior parte dos grandes sistemas ideológicos dissolveram-se: perdemos o comunismo, perdemos o socialismo - enquanto «variante humana» do mesmo. Resta-nos apenas o mercado selvagem, onde só o dinheiro e a multiplicação do mesmo conta. Apraz-me recordar a célebre frase de um autor americano consagrado, de origem nipónica - um tal Fukuyama -, que pôde com pompa e circunstância anunciar há uns anos atrás o fim da História. É óbvio que se enganou. O mundo em que vivemos tornou-se complexo, opaco, mergulhado num sistema capitalista pragmático, insensível à solidariedade, apenas concentrado numa política que valora a maximização do lucro e trata com desdém a arte, a música, a contemplação, o pensamento filosófico, a literatura e a poesia - que servem para nos engrandecer tornando-nos melhores pessoas. Tudo o que não seja imediatamente gerador de lucro, foi arredado para um plano sectário ou caiu na mera tolerância, como as antigas casas de putas. A corrupção medra no tecido social e nos mais altos dignitários da classe política, com o beneplácito da acostumada impunidade e total ineficácia da Justiça. Está na hora de dizer basta! Mas os revolucionários ou já morreram todos os estão demasiado velhos.
Algumas das minhas palavras tornaram-se redondas, tantas as vezes que as repito, mas estas incontinências abeiram-se de mim, inevitáveis, irrecusáveis, emergentes. Quem jura que só com uma revolução a sério as coisas se endireitam, é apelidado de agitador, louco, desmoralizador, extremista, demagogo. Internem-me, asilem-me, prendam-me. Eu sou um deles. Fico à vossa espera.
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