quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Morte de um companheiro do MTC - Coimbra


O António Silva, junto à sua Honda Pan European 1300, com quem fiz tantos passeios



Vítima de morte súbita, deixou-nos hoje, quinta-feira, o nosso companheiro e amigo António Silva, para a sua última viagem. O seu funeral será realizado sábado, dia 17, pelas 09h30. Sairá da Igreja de São José em Coimbra para o cemitério da Conchada. Estará em câmara ardente, a partir da tarde de amanhã, sexta-feira. Iremos acompanhá-lo de moto, como ele gostaria e como sempre o conhecemos: a andar de mota. Prestamos-lhe esta singela e sentida homenagem. Até um dia, António... *


* Fonte informativa: site do MTC de Coimbra

Eu lá estarei, no sábado, de mota, para, junto com os restantes sócios e amigos do MTC, lhe prestarmos a devida homenagem. RIP, António. Que a terra te seja leve.



domingo, 11 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"As tentações de Santo Antão"





Jheronymus Bosch (Hertogenbosch, 1450/60-1516)
"As Tentações de Santo Antão"

"Através de uma escrita pictural de múltiplos signos, esta impressionante obra traduz o medo e a inquietação que tocam a alma e a natureza humanas. Num espaço de vastidão que evolui desde os lugares subterrâneos até às regiões aéreas, as tábuas do tríptico estabelecem a progressão do caminho de Santo Antão. No centro da composição o santo olha para fora do quadro, olha para além do espaço de desordem que materializou em pintura os seres fantásticos que o povoam com o mesmo ímpeto com que atormentam o espírito. Recolhido no escuro e apontado pelo seu bordão, Cristo é o indelével sinal de uma luz redentora.
Poderosa súmula de pensamento que anuncia mudança, esta pintura organiza-se entre a obssessiva tradição medieval do registo minucioso e a modernidade com que se constrói um espaço global que explode em clarões e valores lumínicos que conferem unidade ao caos aparente. Aquém e além da linha do horizonte, as figuras surreais movem-se e esvoaçam num mundo de tormenta que tem o seu contraponto no Jardim das Delícias, outra obra máxima de Bosch que se encontra no Museu do Prado, em Madrid."*

* Texto retirado da Internet


Só para ver o tríptico fabuloso de Bosch, bem como os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, vale a pena uma visita ao Museu Nacional de Arte Antiga, nas Janelas Verdes, em Lisboa, e foi exatamente o que fiz num destes dias feriados.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Poetar - Um processo de intenções...



Tenho muita vontade de tornar a escrever poesia, mas, mais do que a prosa, a escrita poética exige desertos de solidão e um estado de espírito especialíssimo que não se arranja quando se quer. A poesia é sempre  um derrame da alma de quem escreve, um estado de exposição franca, um corpo esventrado, engalanado com laivos de estética. São palavras muito intímas, que se escrevem e se querem belas, e têm geralmente por destino, mal grado o poeta nem sempre o admitir, serem sentidas e apreendidas por quem as lê. Muito do que se escreve fica na gaveta, ou em rascunho, mas, tarde ou cedo, alguém certamente acaba por ler os nosso sobejos. Nunca destruímos completamente tudo o que escrevemos, ainda que imputemos falta de qualidade literária às nossas palavras, mas deixar rastos faz parte da natureza humana. Mesmo depois da nossa morte, há sempre quem rebusque o nosso espólio e fique surpreendido com o que encontra e acabe por ficar a conhecer mais do nosso âmago. Facetas da personalidade impensáveis, corações eternamente inquietos, seres mal-amados, infâncias marcantes, mentes distorcidas e tortuosas. Foi assim com Fernando Pessoa e com tantos outros génios da poesia e não há motivos para pensar que possa ser diferente com poetas menores. Em vida, mostramos as caves das nossas emoções, somente àqueles que reputamos merecedores de tomar a ciência sobre o nosso Eu - nós em carne viva. Pouco interessa que os destinatários dos (nossos) poemas os entendam e os recebam como  interpretações autênticas dos mesmos, pois, essas só o autor poderia desvendar; e, nalguns casos, nem mesmo ele conseguiria explicar cabalmente tudo o que quis dizer. Interessa, outrossim, que quem leia os poemas sinta as palavras e lhes atribua sentidos possíveis para além da estética que lhes está subjacente. Escrever poesia é um pouco como radiografar o nosso interior, a forma como a nossa sensibilidade se organiza, como subjetivamos o que nos rodeia, ou os sentires que povoam a nossa mente e depois expo-los a uma luz que permita o olhar dos outros. Não deixa de ser tudo um grande delírio, um universo metafórico onde as palavras vertidas aparentam, não raro, uma pálida correspondência com a realidade. Há verdades, mentiras, ficções, desejos, crenças, malformações, tudo num turbilhão. Há máscaras na poesia, tal como no teatro existem disfarces, trajes, artefactos, cenários e um palco onde se desenrola o processo teatral. Na poesia o palco é a nossa mente. As palavras fluem da nossa mente, entontecidas, em voragem, quase sempre perfumadas com odores agradáveis como os que se desprendem das acácias em flor. Mas o disfarce é constante. O poeta é um perito na arte do embuste através das imagens. Recusa conscientemente a linguagem denotativa. A poesia representa, de certa forma, a antítese do normal valor gramatical das palavras. O poeta prefere as praias da metáfora, da alegoria e, não raro, delicia-se com o perfeito exagero. É o encenador da trama criada pelas suas palavras, mas também pode ser um ou vários dos personagens do enredo que criou; pode ser uma forma anímica, ou não; ou, ainda, outra coisa qualquer. O limite não é o absurdo, mas a inestética e o desvalor das palavras é pecado. Tal como a prosa, também a poesia pode enfermar de prolixidade, abusar da adjetivação, das imagens, das tautologias e usar de franco mau gosto e vocábulos rebuscados. A tentação do facilitismo e o seguidismo de "modelos de sucesso" nunca nos abandonam por completo. E isso é mais visível nos poetas menores. Mas na poesia valora-se sempre a sinceridade de quem escreve e, mais do que o evitar dos lugares comuns, das rimas fáceis e das construções frásicas delicodoces, é a sua autenticidade que nos conquista e faz amá-la, mais do que outra coisa qualquer. 


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Arte da mãe em mosaico

Alguns quadros e trabalhos da minha mãe, pacientemente tratados no Photoshop por Luís Rebelo, que, pelos vistos, tem ciência e mestria nestas coisas.

Túlipas



TULIPAS


As túlipas são demasiado sensíveis; é Inverno aqui.
Vê como tudo está branco, silencioso e calmo.
Deitada, isolada e calma vou apreendendo a quietude
enquanto a luz incide naquelas paredes brancas, nesta cama,
nestas mãos.
Não sou ninguém; nada tenho a ver com sobressaltos.
Entreguei o meu nome, as minhas roupas de sair às
enfermeiras,
a minha história ao anestesista e o meu corpo ao cirurgiões. (…)
Não queria flores, apenas queria

estar prostrada com as palmas das mãos para cima e ficar
toda vazia.
Como me sinto livre sem que ninguém faça ideia da
libertação…
A paz é tão intensa que nos entorpece
e nada exige em troca, uma etiqueta com o nome, algumas
bugigangas.
Aquilo a que finalmente os mortos se agarram: imagino-os
introduzindo-as na boca, como se fosse hóstias.
Mais do que tudo o vermelho intenso das túlipas fere-me.
Mesmo através do papel de celofane as ouvia respirar
suavemente, por entre as suas faixas brancas, como um
bebé medonho.
A minha ferida corresponde à sua cor rubra.
São subtis: parecem pairar, embora me esmaguem,perturbando-me com as suas línguas súbitas e a sua cor,
uma dúzia de vermelhos pesos de chumbo em volta do
meu corpo.

Nunca alguém me vigiara, vigiam-me agora.
As túlipas voltam-se para mim, assim com a janela
donde, uma vez por dia, a luz se espraia e esvai
lentamente,
e vejo-me, estendida, ridícula, uma sombra de papel
recortado
entre o olhar do sol e o olhar das túlipas,
e, sem rosto, quis apagar-me.
As túlipas plenas de vida comem-me o oxigénio.

Antes de elas virem todo o ar era calmo,
entrando e saindo, sopro a sopro, sem alvoroço.
Então as túlipas encheram-no com um forte ruído.
O ar agora embate nelas e redemoinha como um rio
embate e redemoinha num engenho imerso e vermelho de
ferrugem.
Chamam a minha atenção, que era feliz
quando se entretinha e descansava despreocupadamente.

Também as paredes parecem animar-se.
As túlipas deviam estar atrás de grades como animais
perigosos;
abrem-se como a boca de um animal africano,
e é ao meu coração que estou atenta: ele abre e fecha
o seu vaso de florescências vermelhas pelo puro amor que
me tem.
A água que saboreio é quente e salgada como o mar,
e vem de país tão longínquo como a saúde.


Poema de Sylvia Plath

domingo, 28 de outubro de 2012

Ainda o concerto na Biblioteca Municipal de Leiria


















Algumas imagens dos momentos de poesia e música, que proporcionámos no final de uma tarde de sábado, no auditório da Biblioteca Municipal de Leiria. Foi para mim um privilégio tocar com o meu professor, Luís Emanuel, bem como com o Ricardo, ambos músicos maduros, perto de mim, ave emplume nestas andanças, bem como escutar poesia da minha lavra, dita pela Leonor Lourenço e os sonantes poemas de Luís Silva, recitados pelo próprio. O espetáculo foi um momento agradável,  fruto da colaboração de todos, músicos, diseurs de poesia, autores e um público generoso que aplaudiu calorosamente cada momento. À Drª Teresa, responsável pelos eventos culturais da Biblioteca, seguem especiais agradecimentos pelo seu empenho e disponibilidade, com a certeza de que eventos congéneres terão novamente lugar.  O meu muito obrigado pelos momentos de felicidade que me dispensaram. O meu bem haja a todos!

Biblioteca Municipal de Leiria - 2012 - Poesia e música