quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Negrito

Gosto do silêncio das tardes e daquele momento especial em que ele se deita na cama ao meu lado, ronrronando, numa preguiça sem fim, sem pedir nada.

O Negrito tem quatro patas, pelo negro, a cauda sempre bem alçada, como se fosse uma antena, e uns olhos amarelos que parecem guardar pequenos pedaços da lua.
Ele tem uma maneira muito própria de demonstrar carinho. Aproxima-se devagar, encosta a cabeça ao meu peito e fica ali, quieto, como quem diz:
— Estou aqui.
Passados alguns minutos, adormece profundamente, ressona alto, como se soubesse que aqui é o lugar mais seguro do mundo.
Lá fora, o final do dia avança silenciosamente e eu cogito: A felicidade, por vezes, não chega fazendo barulho. Ela surge silenciosa sob a forma de um ser, com quatro patas, olhos luminosos que simplesmente se deita ao nosso lado e nos transmite conforto e proteção.
Esta nossa grande amizade nunca precisou de palavras. Basta-se com alguns ronrrons e minhaus e aquela voz infantil e característica que eu uso sempre que falo com ele.