segunda-feira, 28 de março de 2011

Costa Vicentina - um passeio breve

A fotografia mais fascinante da viagem, tirada pela dona da Suzy - O areal junto à Lagoa de Santo André ameaçado pela tempestade
A Ilha do Pessegueiro, ao longe, no meio de um mar revolto, mesclado de verde e azul
Ele há o guardador de rebanhos e o guardador de motas
À espera dos mouros - mais vale esperar sentado
A travessia no ferry Setúbal-Tróia
Um banco para observação do oceano e do infinito...
Em observação das gaivotas e de outras aves inomináveis
Aquela nuvem escura que, de quando em quando, me acompanha para onde quer que eu vá, desta vez deixou-se fotografar
A rua principal de Porto Covo logo cedo pela manhã
O Castelo de Santiago de Cacém deixou-se iluminar pelo sol por breves instantes
A Lagoa de Santo André e as suas ilhotas onde habitam espécies protegidas (eu também sou uma espécie em vias de extinção, mas quase ninguém me acredita)
Um xis no céu ou o totoloto do infinito

A tranquilidade das terras alentejanas traz a calma e a paz de que se necessita em qualquer viagem de lazer. Uma fuga à realidade apenas desfeada pela chuva intensa que foi companhia em grande parte do percurso. Um lugar mágico e intenso para, sem dúvida, retornar num dia mais azul.

[Eu pertenço àquela nata de 'gente ilustrada' que abomina fins-de-semana passados em centros comerciais - com a honrosa excepção das visitas à Fnac e às boas livrarias -, que deplora ajuntamentos, critica o consumismo e torce o nariz aos mastodontes. Nada como a comunhão com a natureza, a tactilidade das coisas do campo, a observação das aves que desenham voos rasantes sobre a copa das árvores, as cegonhas empoleiradas nos postes de alta tensão, a dúctil inocência das gentes campesinas, a visão do oceano infinito, a simplicidade magnânima de tudo isso. Lírico, dirão. Mas, por certo, irremediavelmente assim.]  

Rui Veloso - Porto Covo



Uma das canções que marcaram os anos 80 em Portugal, a música de Rui Veloso que tornou célebre Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro.

sábado, 26 de março de 2011

São palavras assim...

Há cerca de dez anos atrás - decididamente muito mais literato lambiscado, desprezando por completo os processos simples, fáceis, de construção textual, numa fase em que as minhas preferências se focavam na escrita de poesia e prosa poética - saiam-me, em catadupa, poemas e textos em que a expressão do amor, e sobretudo da paixão, quase tocavam o ridículo. Mas, como dizia Pessoa, 'todas as cartas de amor são ridículas, ou não seriam cartas de amor',  e nesse sentido estarei porventura desculpado. À época, que não é tão distante assim, a minha prosa poética, eivada de matizes ultra românticas, não conseguia outra forma de expressão. Duvido que hoje conseguisse escrever assim.

Este texto, por insistência de uma pessoa amiga, foi publicado num semanário regional e igualmente num pasquim, originais em formato de papel que não guardei, tendo recebido elogios que me deixaram embaraçado. O elogio incomoda. É um excesso mesmo quando é verdade. É uma espécie de gentileza sem tacto. Claro que quem elogia pretende ser amável, mas confunde a divulgação mediática com a qualidade e repete sempre um clichê que ouviu a alguém. O aspirante a poeta, cheio de ambições, é aniquilado por este elogio. Perante elogios feitos daquela forma, percebe-se logo que o elogiador não lê poesia e o autor sente-se humilhado perante aqueles que efectivamente a lêm e possuem a sensibilidade apurada para a apreciarem. Foi precisamente essa a sensação deixada e a experiência, por minha opção, jamais se repetiu.

Uma das maravilhas da plataforma do blogger é a possibilidade de publicação de textos em diferido. É o caso deste post, que deixei a marinar na sexta-feira para que fosse publicado, hoje, sábado. E, à falta de imaginação para textos novos, e sobretudo de tempo disponível para o fazer, vou desencantando velharias do baú. Por estas alturas, estarei no sul, algures nas bandas da Costa da Caparica, para mais um passeio de fim-de-semana, que, com excepção da região norte/centro, se espera sem chuva. A ver vamos. 

Um libreto de amor

Há palavras que têm sabor, palavras que se deixam degustar enquanto as sentimos rolar por sobre a língua, antes de abrirmos ao de leve os lábios para as deixarmos sair;
 
Enquanto existem em mim, sabem a sonhos, a esperança, mas quando mas calas com um beijo e fogem para a tua boca, sabem-me a amor e a paixão; quando mais tarde as exalas inesperadamente, sabem-me a destino;
 
Quando mas sussurras ao ouvido; quando mas gravas com os dedos sobre a pele; quando mergulho os meus olhos nos teus e as vejo navegar na tua alma; quando vislumbro uma sílaba perdida no canto da tua boca e provo uma letra apressada no gosto do teu sorriso...
 
Há palavras que têm cheiro a mil passeios de mãos dadas, no parque, na praia…; que soam como música perdida nas estrofes de vento que refrescam o verão…; que uivam na tempestade para que as lembremos para sempre…; que cantam para nós de manhã para que o nosso despertar seja suave e melodioso…; que nos imprimem vida, movimento, ritmo…
 
Há palavras que nascem bem dentro de nós e que ficam lá mesmo depois de as gritarmos ao vento e de as levarmos pela mão a conhecer o mundo de outra pessoa. Palavras que embalamos sem mesmo nos darmos conta e das quais nos alimentamos com cada vez mais avidez…
 
São palavras que um dia nos batem à porta de mansinho e nos pedem para entrar… e não encontramos forças para as mandar embora… e deixamos que fiquem e que, aos poucos, vão tomando conta de nós… exigindo ser o nosso centro… o âmago de tudo…
 
E, quando enfim, derrubadas todas as barreiras, nos preenchem, querem mais, querem ser partilhadas, porque são especiais, porque querem colorir os dias daqueles que amamos e unir-nos ainda mais, sem pressas, porque têm todo o tempo do mundo para fazer-nos felizes…
 
São palavras assim como: Amo-te! … Que me aproximam de ti a cada dia que passa, palavras que me preencheram os silêncios e me elevaram os sonhos e, em cada um deles, consigo entrever linhas de vida ainda inenarradas, acenando-me por entre os traços do teu sorriso,  convidando-me a aproximar-me, a prová-las na tua boca para sentir que são iguais às minhas, e que também elas querem que fiquemos juntos para sempre…


Jorge Rebelo


* Escrito no ano 2001, na cidade do Barreiro, num momento de 'intensidade' que faz muito tempo não aflora a minha mente, esta minha (antiga) faceta encontra-se porventura num limbo, à espera de uma notificação para sair do 'idilicamente' e reencarnar em mim, ser pecaminoso. [Os homens são espantosamente sempre mais vulgares do que aquilo que escrevem e eu não fujo a essa regra.]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Focus 'Sylvia'



'Sylvia' foi composto em 1972 por Thijs van Leer, organista, flautista, vocalista, compositor e leader da banda holandesa Focus, por ele fundada em 1969. Trata-se de uma música extremamente rica em harmonia e progressão de escalas, feita à medida do guitarrista, o espantoso Jan Akkerman, à época, considerado um mito. Foi, aliás, o guru e mestre de guitarristas que se vieram a tornar também eles virtuosos, como Eric Clapton, Carlos Santana, Joe Satriani, entre outros. Os Focus eram considerados como pertencendo à corrente do 'rock progressivo' que atravessou os anos 70. Brilharam pelo virtuosismo dos seus músicos, pela originalidade dos efeitos vocais de Thijs, e pelos longos solos de flauta, guitarra e bateria, onde cada um dos músicos da banda exibia os seus dotes. Foi, na minha opinião, uma das melhores bandas de rock de sempre.

Bee Gees - How Deep Is Your Love (live, 1998)



O pirosismo musical de que alguns me acusam dá mostras de estar bem vivo e recomenda-se. Se não, veja-se. Sempre adorei esta balada, um som demasiado retro, que teve a sua época, é certo, mas que não deixa de ser belo só por ser velho. As pessoas de agora, mormente os mais jovens, julgam que o mundo começou com eles e que as músicas de há décadas atrás nem merecem a pena ser escutadas. São coisas de velhos, foleiradas, dizem. Esquecem-se que o que sustenta uma árvore são as raízes, não os ramos. Mas isso é um problema deles que provavelmente só conhecerá solução daqui a mais alguns anos.


I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
and the moment that you wander far from me
I wanna feel you in my arms again.

And you come to me on a summer breeze
keep me warm in your love then you softly leave
and it's me you need to show
how deep is your love

(Chorus)
Is your love
How deep is your love
I really need to learn
Cause we're living in a world of fools
breaking us down
when they all should let us be
we belong to you and me.

I believe in you
you know the door to my very soul.
you're the light in my deepest darkest hour
you're my saviour when I fall..

And you may not think that I care for you
when you know down inside that I really do
and it's me you need to show How deep is your love?

(Chorus)

La da da da da, la da da da da da da da da da da


And you come to me on a summer breeze

keep me warm in your love and then softly leave
and it's me you need to show
how deep is your love

(Chorus repeat to fade)


domingo, 20 de março de 2011

A Primavera aconteceu, muito perto daqui...

Já está seca, menina! Daqui a nada parecem bacalhaus!
Livres, no meio das flores, as crinas ao vento...
Eu sou o Ambrósio, o marido dela.
Olá! Sou a Matilde.
Enquanto houver árvores...
Agora tiras-me a seiva, qualquer dia queres o meu tronco
A Casa dos Lacerda - ideal para um filme de terror
A entrada lateral da casa
Uma sala no 1º piso
Um símbolo satânico ou cabalístico
Incitamento satânico
As paredes do 1º andar
As paredes do 1º andar
Desenhos satânicos
As escadarias principais
De dentro para fora - um quarto no 1º piso com uma vista fenomenal sobre a região
De dentro para fora - um dos quartos
De dentro para fora - a sala
Vista da entrada principal
A Mansão dos Lacerda - Monte Real. Mandada construir no início do século XX pelo Dr. Lacerda, médico ilustre da região, albergou durante décadas a sua família. Diz-se que morreram todos tragicamente, provavelmente com tuberculose. No seu interior podem-se observar imensos vestígios de velas e restos de bonecas queimadas, usados em rituais de macumba e magia negra. Curiosamente, as paredes estão repletas com poesia inglesa, romântica e misteriosa, pintada em cores vivas, escarlate, preferencialmente, talvez por ser a cor do sangue, bem como símbolos satânicos e cabalísticos. Sempre que passo por aquelas bandas, não me coíbo de atravessar a mansarda e entrar no seu interior, até porque o evitamento que a população da terra cultiva em relação à casa, exerce em mim algum fascínio. A casa solarenga está hoje completamente votada ao abandono, pois os herdeiros dos Lacerda há muito que desistiram da intenção de a mandar recuperar. Dizem que a habitação está assombrada e trás maus fluídos.
F-86 Sabre (exposição estática)
Lockheed T-33 (exposição estática)
T-48 (exposição estática)
F-16 - os aviões de caça que equipam actualmente os esquadrões da BA 5 de Monte Real. Os mesmos que, com os seus voos rasantes,  são responsáveis pelo aumento assustador de abortos nos caprinos da região.
Oceanos amarelos
A amarelo é infinito
São campos a perder de vista
O amarelo, este ano, é a cor da Primavera
As mimosas em flor
Algum rosa para mitigar a profusão do amarelo
Mal-me-queres (Bem-me-queres?)
Por vezes os caminhos proibidos são exactamente os que mais apetecem - e eu não me fiz rogado
Montando a azulinha para um passeio pelas redondezas
Domingo é o dia ideal para pormos em dia tudo o que vamos necessitar para a semana de trabalho que se avizinha. Há que preparar roupas, dar uma limpeza à casa e arrumar os utensílios que durante a semana vamos deixando espalhados por tudo o que é sítio. Foi com este propósito que, hoje, pelas 11h00 da manhã, hora  tardia a que acordei, sentado estremunhado na beira da cama,  mergulhei na maturada reflexão de que algo tinha de ser feito cá em casa. Mas e se estes laivos de Primavera acabam? E se o sol que alinda tudo lá fora vai embora? E se os pardais e os estorninhos deixarem de procurar a minha varanda? E foi pensando em tudo isto que larguei  bruscamente o cabo do aspirador, desci à garagem e coloquei a azulinha a trabalhar. Ela ficou radiante e quando a coloquei a funcionar encheu a garagem de um fumo azulado. Esquecida que estava a um canto, sem que ninguém lhe ligasse, já há quase dois meses, só queria era acelerar. Com  o capacete semi-integral na cabeça, óculos escuros, maleta a tiracolo e roupa aligeirada, dirigi-me para os lados da Barosa, tendo por destino as Terras do Lis e Monte Real. O sol  brilhava, o céu tinha uma  tonalidade anil enquanto passarinhos de cor e forma indefinida ensaiavam voos rasantes à frente da motoreta. O ruído estridente da azulinha rasgava o silêncio do final da manhã, ao mesmo tempo que ia deixando um rasto azulado de fumo atrás de si.  Éramos só nós: eu, ela e a mãe-natureza.


'Ultimamente já só ligas à matulona, aquela safada da Aprilia. Só te montas nela, vá-se lá saber porquê? Eu que sou tão pequenina e jeitosinha, económica e manobrável, fico para ali que tempos na garagem, sozinha a  um canto, completamente abandonada. Mas hoje fiquei radiante de alegria por me teres convidado para este passeio; e, sabes, as cores da paisagem até condizem comigo e com a chapa da minha matrícula.  É como se fosse oiro sobre azul!'

sábado, 19 de março de 2011

Passeio motociclistíco

Praia dos Salgados
A Madona sempre à beira da estrada


 O fotógrafo auto-retrata-se - 'As sombras'
Árvores despidas à espera do casaco da  Primavera
Musgo amarelado
A eterna companheira de viagem à sombra do castelo
As ameias do Castelo de Porto de Mós
Castelo de Porto de Mós
Porto de Mós e a Serra d'Aires e dos Candeeiros
Porto de Mós e a Serra d'Aires e dos Candeeiros
O Castelo de Porto de Mós com os seus pináculos verdes inconfundíveis
A caminho de Alcobaça
A eterna companheira de viagem
São Martinho do Porto ao entardecer
O casario e a baía de São Martinho do Porto
Pescadores na Praia dos Salgados - Nazaré
Os chorões em orgias de amarelo
Praia dos Salgados - 'O infinitésimo'
A Barra da Nazaré
Lagoa de Pataias
Lagoa de Pataias
Lagoa de Pataias
O Fernando, o meu prestimoso mecânico, que, simpaticamente, hoje me convidou para experimentar a novíssima MotoGuzzi Stelvio 1200 - Um espanto! Ainda superior à minha Aprilia - [às 10h00 da manhã já a 195 kms/hora na radial de Leiria]
Uma 'casa-moinho popular' com vista para o oceano - Estrada de São Martinho do Porto
Outra 'casa popular' com vista para o oceano - Estrada de São Martinho do Porto
Marina da Nazaré
O cardápio do meu almoço - comi o menú nº 8 da lista dos peixes - filetes de polvo com arroz de polvo. Divinal!
O meu pratinho - almoço com vista para a marina da Nazaré
Marina da Nazaré - à direita o restaurante onde almocei
Tainhas às centenas [dizem que sabem a óleo, mas há quem as coma e não refile]
O mar rasteiro nas pedras
Marina da Nazaré
Aquele que bem podia ser o meu barco, mas não é...chuif!
Despedida ao entardecer do varandim que dá para a baía de São Martinho do Porto

Mais um passeio solitário, organizado por mim (Jorge Rebelo's Mototouring), tendo por participantes: euzinho, como é óbvio, a eterna companheira Aprilia, como não podia deixar de ser, a minha pequena Olypus digital, o sol, o céu azul, algum calor e, sobretudo, um dia maravilhoso que, espero, seja o começo de muitos iguais; e, já agora, com outras companhias, porventura humanas, pois a visão de tantas coisas belas ainda se torna mais prazenteira se for partilhada.